sexta-feira, 17 de maio de 2013

Coco de maluco


A gente girava batendo o pé na terra tão forte que a nuvem de poeira começou a tomar conta da cena. Os tambores trovejavam um coco selvagem, daqueles hipnoticamente ensurdecedores. Eu estava em um frenesi tão grande que meus dedos começaram a latejar com as pancadas da sola do meu pé comprimindo o chão, marcando o tempo quase que por instinto. Mas o que se sentia quando tocava o chão é que ele também parecia mexer. Uma multidão de gente girava de forma randômica. A massa de corpos suados se movia como formigas tocadas a fogo do formigueiro, fugindo por vida. Era vida que eles procuravam, e eu também.
Foi nesse intuito que eu encontrei a Jura. Ela chacoalhava a saia com uma das mãos, enquanto a outra mantinha a mão na lombar, logo à cima daquele bundão bonito de dar gosto. Eu já tinha lá tomado umas pingas, e suava como se estivesse chovendo apenas em cima de mim. Ela sorriu abrindo a boca quando eu cheguei perto dela dançando meio torto, mas não sem alguma ginga. Parei quando a olhava de lado, e consegui sentir o calor emanar do corpo um do outro.
Já não haviam mais muitos pudores entre nós. Nos topamos em alguns encontros, ficamos algumas vezes e não nos vimos durante um longo tempo. Só haveria de encontrar ela agora, por coincidência, naquele encontro de povos tradicionais. E não havia oportunidade melhor, na verdade. Eu sempre cobicei me deliciar naquela coisa boa demais, agarrar bem aquelas coxas fartas, morder seu cangote e me esfregar naquela bunda maravilhosa de Jah!
Estava uma noite linda de céu estrelado sem lua. As parcas luzes de postes antigos competiam com a radiância do manto que se estendia sobre o céu da cidade. Aquele lugar tinha sua magia, com certeza, não era por acaso eu arrepiava de tanta euforia. Jura devia ter percebido minha leve embriaguez, porque começou a assoprar meu rosto e a rir de quando em quando. Eu ria com ela sem entender porque, mas de fato achava engraçado.
- Calor da porra, viu véi? – disse pra ela quando os tambores silenciaram durante algum tempo.
- Ahimaria, velhu, você ta achando isso aqui quenti, é? – me perguntou ela com prazer nos lábios. Empinou o nariz e sorriu – Lá em Maceió isso é uma noite de frio!
Eu ri com aquele sotaque alagoano tão naturalmente entoado. Ela riu também. “É sériu”, insistiu ela com a voz tão carregada de risos que denunciavam seu charme. Estendi a ela a garrafa de alguma cachaça artesanal que havia comprado na feira. Era feita no barriu de umburana, e descia rasgando como só as boas cachaças do Goiás descem. Gotículas de líquido amarelo escorregaram por entre seu pescoço, descendo por entre seus peitos e desaparecendo dentro da bata, ou confundindo-se com a camada de suor que não chegava a escorrer, mas a formar uma segunda pele liquida pelas vastas partes de seu corpo que não estavam cobertas. Dois, três, quatro goles, fíh, a mina num era brincadeira. Enxugou a boca com as costas da mão e me devolveu a garrafa rindo e piscando o olho esquerdo pra mim. Não contive o sorriso. Não contive a leve ereção, não mesmo.
- Bora torra um? – perguntei quando a música parou para trocar de grupo musical.
- Parei com a massa – disse ela sorrindo.
- Pff... rá! – brinquei e, percebendo que ela não estava brincando – pô, real? Então vamo ali pr’eu fumar e tu me faz compania, pira?
- É isso – disse, e tomou a garrafa de cachaça de novo da minha mão.
Seguimos uma das poucas ruas do vilarejo, observando as cores da cidade incrementadas por postes e balões de papel implodidos por pequenas lâmpadas elétricas. Uma multidão percorria inúmeras barracas, e aqui ou ali formavam-se rodas de gente musicando, bebendo, fumando e curtindo. Jura mesmo estava a rodopiar com as mãos para o ar, dançando para todos e para ninguém.
Tomei sua mão por um beco entre um conjunto de casas de alvenaria. Quando chegamos à encruzilhada, rodei-a pelo braço para que encostasse no muro e tomei a cachaça de sua mão. Tomei alguns goles, e ela me roubou a garrafa de novo.
- Vai, fuma logo esse negócio aí – disse ela fingindo birra.
Olhei-a com um sorriso incriminador e comecei a bolar o chosen. Traguei profundo umas duas vezes, mas ela tomou-o da minha mão, puxou uma profunda tragada e, antes que eu pudesse repreende-la por ser tão sacana, ela envolveu meu pescoço com o braço e me passou a fumaça com a boca. Atordoado, traguei, segurando as lágrimas que me subiram aos olhos por causa da ardência súbita que senti na garganta. Soltei a fumaça pelo nariz, mordi-lhe os lábios e voltei a tragar o beise, enquanto ela lambia meu pescoço com a ponta da língua. Puxei-a com cuidado pelos cabelos e coloquei o cigarro na boca dela. Afastei a cabeça para trás, ajeitei o cabelo e voltei a prensa-la contra a cerca de arame que cercava a casa.
As casas em volta estavam quietas, e estávamos iluminados apenas pelo amarelo de dois postes das ruas, que chegavam a formar pouco mais que uma penumbra. O chão de terra batida com pedra brita formava um pequeno caminho de formiga por entre as cercas das casas. Mania das cidades onde os caminhos são feitos para pessoas, não para carros.
Quando eu tentava fumar a ponta, ela já escorregava suas mãos por dentro da minha bermuda. Estremeci, mas quando me recobrei já estava duro. Ela começou a me masturbar devagarzinho, enquanto eu enchia sua boca com minha língua. Nossas respirações já estavam ofegantes quando girei-a para o muro. Levantei sua saia e coloquei meu pau por entre suas pernas. Ela rebolava, esfregando suas coxas envolta do meu pau. Quando não aguentávamos mais ela abaixou sua calcinha e se inclinou para frante, arrebitando a bunda. Desci até a sua buceta, afastando suas pernas e lambendo-lhe de baixo a cima. Ela arrepiou, rindo um pouco, mas logo entregou-se à seus gemidos quando penetrei-a devagar. Eu estava louco de tesão, mas me movia lento e paciente. Logo estava dando estocadas mais fortes. Ela se agarrava à cerca de arame, de cabeça abaixada, gemendo cada vez mais forte. Enfiei minhas mãos por dentro de sua camisa, agarrando seus peitos. Ela virou-se para me beijar por um instante e voltou a se apoiar na cerca. Retomei as estocadas, puxando seus cabelos, dando-lhe alguns tapas nas nádegas, me excitando com as ondas que aquele bundão produzia a cada impacto com a palma da minha mão.
Continuamos durante algum tempo nesse mesmo ritmo, até eu gozar, justo quando ela agarrava minhas nádegas com a unha. Estremeci durante algum tempo, tirei meu pau de lado e ela se abraçou à mim, ambos ofegantes. Acariciei-lhe os cabelos, mas antes que ela pudesse desistir de continuar, desci até sua bunda arrebitada e comecei a chupá-la. Ela inclinou a cabeça para trás, gemendo baixinho. Dez, quinze, vinte minutos se passaram sem que ela se mexesse mais do que botar a mão na minha cabeça, acariciando-me, e inclinando o quadril de vez em quando para frente e para trás. As vezes soltavam um "ohhh...", ou "isso...", e "que gostoso", "huuuuuum...". Eu me deliciava, sentindo o gosto de sua buceta, que variava entre ácido e salgado, mas extremamente delicioso. Ela gozou em meio à suor e puxadas violentas no meu cabelo, e enquanto suas pernas tremiam, abracei-a forte. Assim que recuperou fôlego, olhou pra mim, beijou-me e pediu sinceramente:
- Bote mais um aí velhu - e sorriu, doida.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Um cabaço para o espaço

Eu, quando tinha 17, já conhecia muito mais coisas do que minhas amigas que conversavam sobre maquiagem e absorventes e que meus colegas que se animavam com os shorts curtos da aula de educação física. Talvez por isso tenha me cansado tão rápido daquele colégio de freiras disfarçadas. Disfarçadas sim! Na minha imaginação elas usavam sinta liga e se masturbavam antes de dormir.

Logo às sete e meia da manhã a aula era de Matemática. Meu professor careca discorria há uma hora sobre os polinômios enquanto minhas amigas bebiam cachaça em suas garrafinhas de “água”. Eu fingia que prestava atenção na combinação de letras e números no quadro negro quando um braço longo, forte e um pouco queimando do sol se levantou para sanar uma dúvida. Ele fez o questionamento de forma muito inteligente e com uma bonita voz. Admirei e fui tomada pelo pensamento: “Como aquele nerd cresceu desde o segundo ano! Como é mesmo o nome dele?”

Na manhã seguinte, aula de história, eba! Era entrega da única prova que eu sempre vou bem. E então o professor começa a chamar: Artur Andrade. Antes que eu pensasse que tinha relembrado o nome do nerd fortinho o professor chamou meu nome e acabei topando com ele no meio da sala. Ele passava a mão na cabeça com um rosto apreensivo. Espiei a nota dele e não hesitei em me intrometer.

- Fala sério Artur, você é nerd. Olha a soma da prova e qualquer coisa fala pro professor olhar suas questões de novo.

Ele me olhou assustado, como se eu nunca tivesse falado com ele antes. Acho que nunca mesmo. Mas ele é quem estava irreconhecível, parecia outra pessoa. E não aquele nerd de cabelos no ombro e aparelho nos dentes. Parecia um homem.

No fim da aula, o corredor estava lotado mas Artur deu um jeito de se aproximar de mim para agradecer. Sua nota estava mesmo errada. Ao final do agradecimento sobrou um olhar sem palavras. Me preocupei se ele sentia o cheiro de cachaça que vinha da minha boca mas ele logo deu continuidade a conversa:

            - E então, você vai para o passeio amanhã?

            - Que passeio? – Questionei, atestando ima incompetência de acompanhar os assuntos relacionados à escola.

- O passeio que ganhamos de prêmio por ter ganhado a gincana da festa junina! Vamos!

- Ahh sim! Acho que vou sim! Vou ver com as meninas se elas vão também!

- Ok! Nos vemos lá então!

No dia seguinte não queria levantar da cama, mas meu telefone tocou muito cedo. Era uma das minhas amigas perguntando quanto eu ia dar para a vaquinha da garrafa de vodka para a gente levar para o clube. Ainda dormindo orientei ela a comprar uma vodka mais barata para dar pra comprar uma carteira de cigarros também. Ela me xingou e falou que ia comprar um derby para mim.

Cheguei atrasada na escola, e o ônibus já estava quase de partida rumo ao clube. Minhas amigas me gritaram pra sentar no fundo e me zoaram quando sentei do lado do Artur para perguntar, discretamente, se ele também queria beber coma gente. Ele falou que ia ser ótimo, mas que não ia beber muito.

Chegamos, sentamos em umas mesas mais afastadas das piscinas movimentadas e misturamos vodka com refrigerante. Quando eu estava fumando lá pelo meu quinto derby e já bem alta de tantos copos, vejo Artur caminhando em nossa direção. Ele alertou pra gente esconder a bebida e se dispersar, pois os professores já estavam desconfiando. Peguei minha bolsa e guardei uma garrafa pela metade e os cigarros. Dispersamos. Minhas amigas foram para a piscina e eu fui esconder a vodka nas churrasqueiras mais escondidas em companhia de Artur.

Quando agachei para esconder a vodka consegui captar o olhar dele em minhas pernas. Podia ter ficado calada, mas aquele olhar tinha tanta vibração que eu podia sentir minhas pernas queimando. Não hesitei novamente! Perguntei:

            -Nunca viu pernas não?

            - Como essas não. – Respondeu ele, me surpreendendo.

            -Então pra que só olhar? – Retruquei puxando sua mão para minha coxa direita e fazendo-o agachar também. Senti sua mão tremer ao me tocar e fechei os olhos quando ele me apertou. Quando abri, ele já estava com a boca bem perto e eu o beijei tirando da posição desconfortável, sentei-o no chão e me encaixei em sua cintura.

            - Eu nunca fiz isso – Ele tomou coragem e disse.

            -Eu sei – disse tirando minha blusa e em seguida a dele. Senti seu pau duro entre as minhas pernas rebolei ainda mais vendo seu rosto se contorcer enquanto puxava meus cabelos e chupava meus mamilos.

E em baixo daquela churrasqueira, levantei rápido tirei meu short enquanto ele empurrava o dele para baixo junto com a cueca e mostrava um belo pinto que nunca tinha sido tocado por ninguém. Eu queria chupá-lo, mas ele disse que era melhor não, se não perderíamos o melhor. Então me encaixei e ouvindo sua respiração profunda, gemi alto. Era inevitável. Movimentei-me mais um pouco em busca de senti-lo dentro de mim e então vi seus olhos apertarem e ele me abraçou forte. Era seu primeiro gozo dentro de uma mulher.

Com muito carinho deixei-o encaixado mais um pouco, abracei e disse que foi ótimo. Levantei, vesti minha calcinha e meu short, sentei-me do lado e acendi um derby. E ele suplicou:

            -Me dá um gole dessa vodka.

Por Mariposa Apaixonada

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Um toque na rotina


Eu trabalhava na edição de um vídeo quando recebi uma mensagem no celular. “Fui liberada mais cedo, tá fazendo o que?” dizia ela. Arquiei a sombrancelha, hesitante por um tempo, mas aceitei. Tava ficando com a Fernandinha já há algum tempo, e tava legal. A mina era gente boa, independente e boa de cama. E olha que eu nem sou muito de compromissos, mas eu estava tão na rotina nos ultimos tempos, aceitando vários trampos pra pagar as prestações da moto, que aceitei a tal vida de casado em bom tom. Saíamos juntos algumas vezes no mês, mas o bom mesmo eram essas rapidinhas no final da tarde. Ela também estava na correria de um mestrado e do trabalho, então calhávamos um ao outro. Acho, alias, que isso deixava o sexo bem gostoso, pois eram duas pessoas querendo um momento para desestressar e suprir aquela carência rotineira.
O problema é que o ser humano é um bixo insatisfeito, e assim eu estava. Havia ficado com outra mina no final de semana, e acabei acordando pro arroz com feijão no qual eu estava. Só havia aceitado me encontrar com ela aquela tardezinha de quinta porque a semana tinha sido dura, mas eu já ensaiava uma conversa com a Fernandinha pra gente dar um tempinho, vê se dava mais uma animada. Ela era uma garota tranquila, achei que ia topar numa boa. Mas é claro que eu só ia falar depois do sexo. Não ia estragar o clima.
A porta bateu e eu mandei entrar, premonindo ser ela. A Fê era uma morena da minha altura, por volta de um e oitenta e poucos, magra e proporcional. Tinha olhos levementos puxados e uma boca que sorria uma alegria contagiante, não importando o momento. Acho que esse era outro motivo pelo qual eu gostava tanto dela: não importava a situação, o sorriso daquela menina sempre me animava. Vestia uma calça jeans e uma blusa de manga curta por baixo de um pequeno colete preto de algodão.
Deixou a sandália na entrada da casa e pegou um copo d'agua. Quando olhei para ela, com olhos de carência, ela riu e fez sinal para esperar enquanto terminava. Me deu um beijo na testa rápido e foi ao banheiro.
- Pera que eu tô apertada – riu.                                                                                          
Eu ri, já sentindo a rotina me apertar.
- Claro, vai lá – saí, deitando na cama e alcançando uma ponta que estava no criadomudo.
Ela começou a falar do dia enquanto terminava de mijar, mas eu já absorvia tudo com passividade. Não sei porque, mas as pessoas costumavam se sentir a vontade para falar sobre os problemas de suas vida comigo. Alguém havia me dito uma vez que eu era um bom ouvinte, mas eu quase sempre estava em outro lugar, e aquela era a minha capacidade de ouvir. Alias, descobri que essa é exatamente a habilidade que as pessoas de hoje em dia procuram: quando você escuta um desabafo, uma confissão, uma dúvida; percebe que ninguém está de fato interessado em dialogar, mas sim em externar. No fundo, as pessoas só querem falar, e não se sentirem sozinhas.
- ... aí eles prometeram escrever a carta ainda essa semana, mas não vai dar tempo para a próxima reunião.
Descuidado, não disfarcei minha falta de atenção e fui apanhado por um olhar de interrogação assim que terminava de dar uma longa bola. Ofereci o beck e ri.
- Desculpa, nega, tô viajando aqui. Minha cabeça tá a mil.
- Ih, de boas. Eu também fico te enchendo com minhas paradas, não tem nada a ver, né? - disse ela deitando na cama.
Abracei-a por trás, passando o braço por baixo de seus peitos e me aconcheguei. “Mimimi, minhas paradas” murmurei, brincando com o lóbulo de sua orelha entre os dentes. Ela riu, engasgando de leve com a fumaça. Jogou a pontinha no lixo ao lado do criado mudo e me beijou. Após degustar de alguns minutos de saliva mentolada, senti-a ofegar. Passei os braços em sua cintura e girei-a para cima de mim. Ela quis me beijar, mas eu coloquei a mão em seu peito e deslizei com a ponta dos dedos através da sua barriga até a sua boceta, fazendo-a rir e gemer ao mesmo tempo. Masturbei-a devagar, lento, tranquilo, mais rapido. Ela então tirou minha mão, girou o corpo para o lado e começou a tirar sua calça. Tratei de fazer o mesmo. Quando me livrei da cueca, virei para ajuda-la a desabotoar o colete e tirar a camisa. Passei, então, para cima dela e nos esfregamos durante um tempo.
Tive uma cômica epifania naquele exato momento. Reparei em um hábito rotineiro que havíamos criado: decidíamos a posição que íamos ficar de acordo com o cansaço de cada um. O pior é que estávamos mais pobres ainda, porque só era eu por cima dela ou ela por cima de mim. Eram as duas posições em que uma fica sentada e outro deita, ou os dois deitam. Senti um repentino tédio que me desistimulou. Não sei se era o cansaço daquele dia, mas novamente não consegui disfarçar e ela notou.
Mas ao contrário do que eu esperava, ela reagiu de forma... genial. Agarrou meu pau e mordeu meu mamilo enquanto me masturbava. Me peguei fechando os olhos e rindo. Aquilo fugia ao protocolo. Como que premonindo meus pensamentos ela escorregou a mão até minhas bolas, dando uma leve massagem. Eu agarrei seus cabelos por trás, tirando sua cabeça dos mamilos e arrancando uma risada sacana. Dava pra sentir, além do meu próprio prazer, o prazer que ela sentia em causar aqueles arrepios. Mal sabia eu que aquele era um sinal do seu próximo movimento.
Seu dedo se arrastou ligeiro até o meu cu, e antes que eu pudesse conter a risadinha involuntária seguida de uma sensação de pânico, ela me penetrou. O movimento só não me surpreendeu mais do que o gemido de prazer que soltei ao sentir aqueles estímulos... novos. Olhei pra ela, procurando uma explicação, mas tudo o que a sacana fez foi rir. Prosseguiu então o movimento, tirando o dedo e colocando de novo. Fechei olhos e o cu. Rapaz, eu não sabia direito o que tava rolando. O que sei era que já na terceira incursão do dedo eu estava tão excitado ao ponto de sentir meu pau latejar.
Estiquei a mão entre suas pernas e comecei a retribuir-lhe o prazer. Melhor, a me vingar. Escorreguei um dedo para seu anel, e me satisfiz quando vi sua cara de dor prazerosa, quase retirando o seu próprio dedo de mim. Passei então a perna por cima de sua cabeça, e fizemos um meia nove com fio terra durante algum tempo até gozarmos (eu antes dela, claro). Tombei para o lado, entorpecido. Já ouvira antes sobre os prazeres de uma massagem na próstata, mas nunca imaginei que chegava àquilo.
Fernandinha se levantou, me sorrindo de forma acusadora. Coloquei o dedo que a havia penetrado na frente do seu nariz, e ela me deu um tampa na barriga. Levantou, se vestiu, me mandou um beijinho e foi embora. Afinal, a rotina não para.

domingo, 14 de abril de 2013

Muita loucura, muita alegria


                 Todo mundo me chama de drogado por aí. Rá, não, vocês não viram drogados. Pessoas como eu podem ser classificadas como usuários (crônico, se preferir) de drogas. Mas um drogado está além do simples usuário. Ele faz daquilo a sua vida, o seu universo. Existem aqueles que curtem os estimulantes, seja para um longo dia de produção, uma longa noite ou várias horas de sexo. Há também alucinógenos, que brincam com a mente, permeando diversas dimensões da mente em uma mesma realidade. E há os psicoativos, que interferem em suas trocas sinápticas, reorientando seu senso de realidade para, digamos, um ângulo diferente.
                Confesso que os alucinógenos nunca me interessaram. Cogumelos ou Salvia transportam as pessoas para outros planos, e talvez seja isso que as pessoas procuram, mas não eu. Sempre entendi as drogas como possíveis extensões sensoriais, capazes de lhe fazer atingir sensações não antes experimentadas ao ponto de relativizar até mesmo suas concepções mais antigas, mais íntimas.
                Foi com esse pensamento na cabeça que eu queimava aquele Lemon Skunk que Sarinha me deu. Deus, que mina maluca, véi. Com um dinheirinho de herança comprou um pequeno terreno à 53 km do centro, e com pouco menos do total da herança conseguiu construir um galpão de 10x10, onde montou seu... hum... "ateliê". O galpão de madeira se assemelhava muito à um depósito rústico, exceto pelas telhas transparentes que salpicavam o teto e pelas paredes de madeira envernizada, que conferia um aspecto de novo à construção. Com o que restou da grana, encomendou 4 sementes feminilizadas de AK-47, fertilizantes, lâmpadas potentes e acessórios de jardinagem.
                Em 4 meses, com a ajuda de tutoriais de blogs e vídeos do youtube ela conseguiu produzir o bastante para financiar a próxima produção triplicada e ainda pagar algumas de suas contas. Desde então ela tem vendido ganja da melhor qualidade, em média escala e lucrando muito.
                Na intenção de colaborar com esse lucro foi que eu aparecia em uma tarde de Sábado em seu terreno para financiar minha loucura. O galpão ficava localizado em uma clareira por entre uma vasta quantidade de árvores. Sara teve o cuidado de escolher um terreno cheio de árvores, pouco importando o preço quase duplicado com o qual precisou arcar. Queria evitar curiosos, até os que olhavam de cima. A clareira era cercada por uma densa matava fechada, e a única coisa que evitava com que o mato avançasse para dentro do perímetro do galpão era uma cerca de arame levantada para separar o área de pedra brita e de mata fechada. Estacionei ao lado de seu antigo Fiorino e me direcionei à porta. Um interfone que continha uma câmera acoplada fez soar a voz de Sara depois que chamei.
                - Quem é? - disse a lânguida voz de Sarinha.
                - É Teteu, doida, abre aí - e abri um sorriso para a câmera.
                - Tá - e fez a tranca anunciar meu livre ingresso ao Galpão.
                Uma infinita variedade de cheiros e cores inundaram meus olhos. Os odores doces e cativantes penetravam às narinas como um incenso exótico de ervas. As cores, na maioria das vezes valorizadas pelas potentes lâmpadas incandescentes, variavam entre laranja, verde bem claro e roxo. Por entre diversos cilindros de alumino que abrigavam plantas que saltavam galhos aqui e ali eu encontrei Sara, terminando de podar algumas plantas. Quem diria que aquela nerdzinha que começou Química na universidade, varando noites no laboratório e se matando para cumprir bolsas de pesquisa iria se transformar em uma da traficantes mais bem sucedidas do ramo.
                Conheci Sara ainda no cursinho, quando escapava de uma aula pra acender um béquin. Havia escapado para um parquinho próxima à escola, quando ela me abordou:
                - Cara, você tá na B3, né?
                Eu olhei pra aquela doce criatura de cabelo trançado e piercing no nariz e respondei, cauteloso:
                - To sim, e tu?
                - To lá também, mas to no fundão - ela riu, denunciado sua posição. Que merda é essa aí que você tá queimando?
                - O prenpren da loucura, nossa mais fina rapadura - sorri. Ela fez uma cara de nojo.
                - Guarda essa parada aí, vamo fumá coisa melhor - e sacou uma bomba da bolsa. Arregalei meus olhos e salivei.
                - Rapaz, que charas!
                - É que eu tô muito cabeçona pra esse vestibular - disse ela, rindo e tacando fogo na babilonia. Um cheiro de flores penetrou forte no meu nariz.
                Quando fumei, bastou 2 tragos para que eu estivesse tossindo loucamente, lacrimejando e esquentando a cabeça. Minha pressão baixou tanto que tive que sentar no meio fio, de cabeça abaixada. Quando me recuperei, as luzes do mundo estavam tão fortes que eu precisei retirar meus velhos óculos escuros da bolsa pra sustentar a lombra.
                - Que baguio doido, véi - balbuciei, retardado.
                - Pois é, se quiser um pouco fala que eu sei como arranjar - disse ela, que havia fumado 3/4 do beise. Piscou o olho e me deixou lá, morgando.
                Não que Sarinha fosse uma traficante comum. Seu negócio passava longe do crime organizado e toda aquela áurea ruim. Seu negócio era a máxima discrição. Não usava outra forma de contato se não o boca a boca, e ainda assim não permitia visitas. Contava com apenas 1 intermediário que trabalhava entregando suas encomendas. Ainda assim, nunca encontrava diretamente a figura, passando a mercadoria através de um armário no vestiário de uma atlética de curso que alugava há anos, onde deixava uma mala com a mercadoria, os endereços e o pagamento da entrega passada. O contato havia se apresentado apenas uma vez, e desde então operavam apenas através de um encontro mensal marcado previamente no encontro passado. Sem endereços, sem nomes, sem intimidade.
                Eu, no entanto, era diferente. Já comprava dela há uns 3 anos, e como ficamos amigos, ela permitia que eu fizesse visita à sua produção, quando nos reuníamos para negociar boa ganja e fazer grandes sessions. Ela era inteligentíssima, tinha planos para o seu mestrado, e estava apenas esperando a grana pra financiar um apartamento e fechar as contas. Não dava pra ficar naquele esquema pra sempre. Não existe aposentadoria pra traficante.
                Segui até o fim do corredor de inúmeras plantas de todos os tipos e avistei uma porta semi-aberta. Era lá que Sara fazia suas podas e seleção de seus buds. Ela estava sentada em frente à uma amostra de erva, analisando algumas amostras com uma lupa. Por cima da mesa estavam espalhadas ferramentas dos mais variados tipos: alicates de poda, tesouras de todos os tamanhos, escovas, pinças, giletes. As prateleiras sustentavam potes de fertilizantes de todos os rótulos. Terminava de lacrar uma bolsa isolante contendo vários saquinhos com tipos de ervas diferentes.
                - Coquetel da jamaica - disse ela, me entregando o saco. Percebi que estava um pouco suada, e com olheiras, apesar de seus olhos estarem bem vidrados.
                - Apropriado para um clima tropical?
                - Refrescante, sem dúvidas - disse ela, me abraçando. Como você tá?
                - Tomando meus remédios todos os dias, e você?
                - Precisando de unzinho, que tal? E sacou, com a mesma sagacidade da primeira vez que fumamos, um puta charas.
                - Com você num tem miséria, né fia?
                Ela riu e ascendeu a tora. Fumamos a tarde toda, conversando sobre coisas mil. Ela parecia elétrica quando cheguei, mais aos poucos foi murchando. Pensei que ela estava só relaxando pela massa, mas me contou que na verdade estava virada de uma noite inteira pra antender uma galera do final de semana, e havia tomado uma bala pra ficar ligada.
                Quando começou a anoitecer, disse que teria de ir embora, pois já estava tarde. Ela me pediu para ficar, porque precisaria dormir ali mesmo até o dia seguinte e não havia trazido seu computador, então estaria muito só. Como já estava muito sonolento, e com preguiça, e com más intenções, aceitei. Jantamos alguns sanduíches antes de tombar na cama. Eu ainda tinha uma pequena disposição, mas assim que comecei a me aproximar dela na cama de casal ouvi seu ronco pesado. Desisti e me entreguei aos braços de Morfeu.
                Acordei no dia seguinte com Sara sentada à beira da cama, cortando algo.
                - Bom dia - espreguicei.
                Ela se virou com um pequenito papel na mão e enfiou-o na minha boca.
                - Hoje vai ser dia de playground - e riu, fechando minha boca.
                O pequeno pedaço de papel amargou minha boca, e logo percebi o gosto de LSD em minha boca. Engoli-o, e tão logo ela tirou a mão da minha boca, colocou um beise e acendeu. Torramos outro charas, e, de estomago vazio, em meia hora eu já estava enroscado nela, sem saber pra que lado o mundo tava girando. Eu sentia cada centímetro de sua pele contra a minha, e esfregavamos nossos corpos um no outro, como que para contagiar-nos mutuamente com nossa loucura. Sara também estava adocicada, e delirava e suspirava toda vez que eu passava minhas largas mãos por seu pescoço, suas costas, sua barriga, sua coxa. Não demorou muito e ela estava acariciando meu pau, fazendo-o... como diz aquela musica do Bob? "Get up, stand up!".
        Já estavamos completamente nus quando começamos a nos penetrar. Experimentamos diversas posições. Frango assado, cavalgada (normal e invertida), de ladinho. Como ela era pequeninha, consegui até carregá-la e transamos em pé. O sol penetrava o pequeno quarto por uma pequena janela, penumbrando o quarto com o Sol da manhã, começando a abafar o ambiente. Nós suávamos em razão da anfetamina do papel, e depois de quase uma hora já havíamos transado tanto que eu precisei de um tempo pra ir tomar uma água. Quando voltei, ela estava de perna aberta na cama, ainda ofegante e se tocando de leve.
              - Já tá se preparando pro segundo round? - perguntei, passando-a um copo de água gelada.
                - Você me deixou toda assada, seu sacana - disse ela, bebendo do copo e despejando metade do seu conteúdo em cima da buceta.
                - Ah cara, é a empolgação, né? - disse, beijando-a.
                - É, mas agora vai ter que ser de outro jeito. Foi até o pequeno criado mudo (o único móvel do quarto, tirando a cama), pegou o que parecia ser um creme hidratante.
                - Vai passar um hipoglós? - brinquei.
              - Vou improvisar um KY - disse, ficando de quatro e começando a untar seu cú com um pouco de creme. Entendi na hora o que ela estava sugerindo, e ajudei-a a lubrificar-se. Após algum tempo passando o creme e estimulando-a de leve com os dedos eu já estava duro o bastante para penetrá-la.
                Já havia tentado sexo anal, mas apenas por alguns minutos, e sem o entusiasmo do doce. Aquela vez estava sendo diferente. Eu sentia cada centimetro do meu pau entrando bem devagar, deslizando para dentro e para fora suavemente, sempre me atentando à sua mão que impunha o limite de até onde eu poderia enfiar. E foi reduzindo a margem até que pude penetrá-la livremente. Daí pra frente estoquei-a cada vez mais excitado, aumentando o ritmo enquanto ela se masturbava desinibidamente, gemendo com um leve tom de dor e grandes notas de prazer. Eu já estava esbaforido, e sentia uma pressão  deliciosamente forte em meu pau. Foi quando ela já estava quase toda deitada na cama, com sua bunda arrebitada ao máximo ângulo que lhe era permitida, cansada de tanto fazer resistência às estocadas, que gozei. Sentia cada músculo do meu corpo se retesando, dando vazão à um orgasmo monstruoso. Só consegui me jogar ao seu lado, exausto, enquanto ela rolava pro meu lado.
                Se aninhou ao meu lado e, acariciando minha barriga disse:
              - Vamo pra um riacho que tem aqui perto? Preciso me refrescar pra poder sentar de novo - e riu, doidona.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Na loira do banheiro


Doido não. É insuficiente pra me definir aquela noite. Cheirei, bebi e fumei. Não sei o que, não lembro que horas, nem quantas vezes. Acho que muito chapado é o que de fato me define. Mas você acha que é sobre isso que eu to falando? Oras, por favor, geral sabe que noites assim são fartas. Aquela não era a primeira e não seria a ultima por muitos anos ainda.
Não, o que eu quero contar é como que através daquela loucura toda eu ainda estava consciente do processo de aproximação de uma galega linda. Linda mesmo, véi. Cabelos dourados, branquela da pele lisinha. O rosto todo simétrico, com olhos grandes e profundos, além de um sorriso safa-animado. Seios pequenos, firmes e empinados, cobertos por uma camisa de seda branca com um top por baixo. Sua cintura comprimida por um shortinho, nem tão “inho” assim, balançava como um pêndulo ditando a batida do ragga. Descia e subia com desenvoltura invejável (e por muito sugestiva, ah sim, minha mente não parava, a concentração tava foda) de mina que sabe o que é a pista.
Quando me dei por conta, eu estava mordendo meu lábio, todo desejoso. Minha sorte é que o molotov de drogas que eu havia consumido não estava me impossibilitando de representar na pista. Não sei nem se eu conseguir pensar muito claro, na real. Tudo o que lembro daquela noite é como se alguém tivesse contado a história pra mim.
De qualquer forma, iniciei minha aproximação. Ao mesmo que eu me achava o máximo, eu achava tudo muito engraçado. Eu exibia um sorriso contínuo e prolongado como um escudo da minha doideira. Se era bonito eu não sei, mas quando eu cheguei perto da galega ela me olhou e sorriu. Pronto, aquele momento que você enxerga por onde. Abri os braços e dei prosseguimento ao ritual: alinhamos cintura a cintura e marcando o compasso da música. Ao me aproximar de seu rosto senti o cheiro fraco do perfume sendo sobrepujado pelo cheiro de suor e hormônios mil. Desviei o rosto para não evidenciar o tesão que eu estava sentindo, mas me denunciei de tão doidão que estava, porque virei o rosto e dei uma risada cretina. Ela percebeu e riu também, sem deixar que nos desalinhássemos. Segurei as alças de  cinto de seu short e colamos os rostos.
Julguei que pelo ritmo de sua respiração e pelos engraçados movimentos que ela fazia soltamente com o braço, apesar de a cintura ser precisamente rebolante, que ela também não estava exatamente sóbria. Incrível com as pessoas podem tornar-se sexualmente mais interessantes quando estão doidonas. Os movimentos que demorariam horas de desinibição e intimidade resumidos a poucos minutos de intensidade energética, e já estava preparado. Com aquele coxa com coxa eu comecei a ficar muito excitado ali mesmo, no meio da pista.
O pouco que eu arriscava olhar em volta era uma mistura borrada de luzes e pessoas, neblinadas por um gelo seco. A pista estava abarrotada, e o calor era crescente. O peso do som batia tão forte que chegava a tremer. Sintetização comendo solta, empoderada por graves robustos e uma batida forte eram a motriz de uma massa de pernas e braços. Suor e hálito eram bens comuns a todos os dispostos a dançar.
Sem me agüentar mais eu procurei seus lábios e achei-os abertos em um meio sorriso. Sorri alguns segundos antes de trocarmos os primeiros fluidos da noite. Sua língua era molhada e esguia, tanto que precisei colocar a mão por trás de sua nuca para ver se conseguia acompanhar o que cada vez mais se transformou uma louca randomização de movimentos. Continuamos a dançar, só que dessa vez nossas mãos alisavam um ao outro como se fossemos esculturas de lama.
Entorpecidos pelo clima (e outras cositas mas) nós ficamos assim por horas, pelo menos eu achei que eram. Alguns movimentos enganavam meus olhos, deixando um rastro de quadros, como quem em câmera lenta. Por vezes eu me arrepiava sinistramente, causando risos na linda galega, como se ela gostasse de saber do sucesso de suas carícias. Aquela contínua situação de estímulo me fez começar multiplicar a loucura. Eu já sentia estar nu mesmo depois de me certificar que eu ainda continuava vestido.
Como que lendo meus pensamentos, a branquela me puxou pelo braço. Abria caminho com destreza por entre a loucura. Eu tentava acompanhar aquela pressa em meio a uma tontura que ameaçava me tirar o equilíbrio, além de uma repentina ereção que me transformava em um cutucador involuntário e indesejável. Tudo o que eu podia fazer era rir (que a essa altura do campeonato estava mais natural do que respirar) e tentar me esgueirar para não perder aquela mãozinha branca.
Deu um safanão na porta depois de ter empurrado todas as doidas que saiam e entravam no banheiro. Me puxou um beijo, e guiei-a até um dos boxes. Nos trancamos sem saber se respirávamos, se nos apalpávamos ou sei lá o que. Lembro que tudo foi muito rápido, mas as cenas que vêm à minha memória sempre estão em câmera lenta. Eu passando o braço por trás de sua cintura, ela se enroscando à minha cintura. Começamos a tirar as roupas assim, encaixados em pé. Quando estávamos nus o suficiente, ela conseguiu apoiar suas pernas na parede logo atrás de mim, de modo a ficar suspensa no Box. Formamos uma espécie de Y, o que me deixou livre para penetrá-la de forma versátil.
Mergulhamos então num mar de arfadas e gemidos contidos. Nossas mãos estavam ocupadas demais trabalhando no equilíbrio de nossa posição, restando-nos apenas a boca e tronco como forma de excitação. Ouvimos alguém perguntar “tem um homem aqui dentro?”. A galega, que gemia agora bem alto, para ocupar sua boca resolveu cravar uma dentada sem fim no meu ombro esquerdo, me segurando como podia. Quase perdi o equilíbrio. Derretia de tanto prazer.
Quando começamos a ficar desconfortáveis, ela desceu, e se virou, me deixando livre para penetrá-la por trás. Sentindo-me na obrigação de retribuir os arrepios, tirei seus cabelos para o lado beijei-lhe a nuca, mordiscando-a quando podia. Ela colocou sua mão por trás da minha cabeça e puxou meus cabelos para trás, como que para ceder, mas eu não cedia. Aos poucos eu aumentava o ritmo das estocadas, acariciando suas costas de vez em quando.
Foi então que ela reclinou ficando quase toda ereta, e cravou suas unhas por trás da minhas costas tendo leves espasmos de prazer. Ao escutar seus gemidos finais eu também  não conseguia mais me conter, e gozei. Sentei na tampa abaixada do vaso e me dei por vencido. Ela sentou-se em meu colo, abriu sua minúscula bolsa (meu deus, tinha uma bolsa!) e retirou um baton, de dentro do qual retirou um fininho. Sem dizer uma palavra, passei-lhe o isqueiro e sorri. Eu nem sei qual é o som da voz dela.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Relaxa e goza.

Eu pulava como um passarinho que descobriu que para voar ele podia pular. Pulei o que o carro me deixava, até porque eu sou muito cagão com trânsito, e prefiro dirigir devagar quando estou chapado. Ah sim, acha que não? Tava é muito. Aquele solzão rachante tava até agradável, e o que compensava os meus litros de suor era uma térmica de água gelada que eu genialmente coloquei no carro. Foi genial porque eu sempre esqueço, e parece que no dia mais quente do ano eu havia trazido um Oasis portátil. Nas pobres caixas de papelão do carro quicava um Skatalites pesado. Foi com a Jamaica na mente que meu celular tocou:
- Ai Teteu... Tudo bom? – perguntou uma voz cansada e simpática.
- Ahh... Ligia? – perguntei, tentando recobrar algum sentido.
- Oi, nego, ta podendo falar?
- To sim, to sim, diga aí. Tudo bem com você? – coloquei o braço pra fora do carro, fazendo com que o vento fresco do lago apaziguasse um pouco a chapação.
- Cansada e com fome, e você? Já almoçou?
- Tranquilo. Não comi nada não, tava indo pra casa agora.
- Pô, cê num quer trazer um rango pra mim aqui em casa não? Meu carro ta no concerto, e eu to sem tempo e sem saco pra cozinhar. Preciso entregar um artigo pra amanhã de manhã e ainda tem coisa pra caralho pra fazer.
- Ô cara, relaxa, eu levo sim pô. Cê quebra altos aí pra mim, tá de boa.
- Massa. Traz qualquer coisa aí, mas nada com carne vermelha pra mim.
                - Beleza então. Daqui a pouco eu colo aí!
                A Ligia era minha vizinha, e nós nos víamos pelo menos uma vez por semana pra fumar um, falar amenidades e suprir a carência de se morar sozinho. Algumas vezes ela aparecia com filmes e vinho, e varávamos horas nos distraindo da solidão. Ficamos algumas vezes, mas achamos melhor não levar muito a sério porque a proximidade entre nossas casas poderia nos colocar em uma rotina de casados, e isso poderia comprometer a nossa relação de vizinhos (importantes um para o outro). Era uma forma de trocar uma zona de conforto por outra menos prejudicial.
                Passei na padaria e comprei um frango assado, maionese e vinagrete, além de algumas cervejas. Tomei um cafezinho antes para rebater aquela viagem doida. O calor estava infernal, e quando desci do carro quase não consigo me colocar em pé de tão pesada que minha cabeça estava. Sorri à minha debilidade, mas imaginei que ia ser meio chato chegar lá todo capengão, então pilhei um café pra dar um gás.
                Quando cheguei ao apartamento de Ligia me deparei com uma bagunça de fazer inveja à minha casa, que era conhecida por ser limpa, mas totalmente confusa.  Pastas, textos, canetas e cabos de computador estavam espalhados pela casa toda, além de saias, blusas, uma calça jeans com o cinto ainda afivelado, calcinhas e sapatos.
Ligia fazia parte da composição de sua casa: estava com um pijama amassado, o cabelo solto e desgrenhado e olheiras cansadas. Mesmo isso, porém, não era o suficiente para ofuscar sua beleza. Tinha o cabelo chegava até a altura do pescoço, e seu embaraço conferia a ela uma áurea selvagem. Seu meio sorriso estava sempre presente em tudo o que falava principalmente no que sugeria. Deu-me um cheiro preguiçoso quando cheguei, abrindo caminho por entre aquele pântano acadêmico.
- Cara, eu to morta, e fudida – disse indo para a janela. Acendeu um cigarro e encostou-se no parapeito da janela – alias, fudida faz tempo que não – completou ela rindo.
- É, ta bad aqui – eu olhei em volta.
- Ah, nem me fale. Eu estou na ralação tão cabulosa esse mês que eu me descontrolei cara.
- Acontece, nega, diga aí. Mas dá um tempo aí, vamos comer esse rango.
- Cara, eu tenho q terminar um capitulo agora, depois eu almoço. Se quiser salvar um aí eu iria achar massa pra abrir o apetite – disse ela voltando para frente do computador com indiferença ao meu pedido.
Sorri sem saber dizer não. Com calma processei o chosen e logo estávamos soltando bolsas de fumaça espessa e farta. Mesmo trabalhando no computador, Ligia não parava de tagarelar. Reclamava de como seus trabalhos na facul que incluíam a monografia, bolsas e outras encrencas estavam atrasados por conta do excesso de trabalho na redação, e que por isso ela não dormia direito à... E devagar ela começou a falar mais languidamente, a transformar seu meio sorriso em três quartos de sorriso, e de como estava curtindo uma regueira bem baixinho no PC, sem desgrudar dele um segundo.
Após algum tempo a lombra pesou forte. Eu me sentia grudado ao sofá, com o calor do meio dia secando minha boca e molhando minha camisa. Tive que reagir pra não perder o fio da meada. Levantei-me e perguntei à Ligia se podia tomar uma ducha rápida, só pra dar uma levantada.
- De boas. Primeira porta à direita, vou deixar uma toalha lá – disse ela, com um sorriso bobo no rosto e embalando levemente a cabeça para frente e para trás ao som do computador.
Fui até o banheiro me espreguiçando do sono que me abatia e tratei logo de entrar na ducha. Fechei o box e me demorei algum tempo embaixo da água gelada. Esfregava os olhos, a cabeça, esticava os braços e pernas quando, do nada, a porta do box se abriu.
- Ai Mateus, vai mais pra lá pô.
Encolhi-me, franzindo a testa para a cômica cena que tava rolando. Ligia estava toda nua disputando comigo o melhor lugar para receber o jato de água do chuveiro. Mas olha, isso não acontece sem querer, vamos lá. Deixei ela se lavar um pouco, segurando-a pela cintura. Foi então que dei uma leve mordiscada em sua nuca e ela jogou a cabeça pra trás, suspirando baixo. Em dois curtos movimentos eu puxei o rosto de Ligia e a beijei, ao mesmo tempo em que escorreguei a outra mão para suas costas, parando em sua bunda. Ela correspondeu passando os braços por trás do meu pescoço e começando a esfregar seu ventre em minha perna. Aquilo logo me despertou, e começamos a nos pegar efusivamente. Suas mãos deslizavam pelo meu corpo, ora acariciando, ora arranhando. Eu beijava-lhe a boca, o rosto, o pescoço e seus peitos.
Em um rápido movimento passei minha mão de sua barriga para sua buceta. Ela deu uma leve gemida quando comecei a masturbá-la, e logo tratou de se ocupar com meu pau que já estava pra lá de animado. Após alguns segundos de troca de hálitos e gemidos ela se pendurou na barra de ferro que sustentava o box (que por sorte era aqueles antigos, feitos de ferro e bem firmes) e laçou as pernas em volta de minha cintura. Penetrei o bixin e logo comecei a lamber aqueles mamilos durinhos que balançavam na minha frente. Ligia jogava seus cabelos molhados para trás, içando-se o suficiente para garantir o movimento pélvico exato.
Intensificamos o ritmo, mas resolvemos mudar de posição quando a barra de ferro começou a fazer alguns estalos estranhos. Rindo e me beijando ela se virou e apoiou suas mãos na parede de vidro. Voltei a meter em um ritmo vagaroso. Sem interromper os movimentos, estiquei minha mão esquerda para o chuveirinho, destampei-o com a boca e escorreguei-o até a altura do clitóris de Ligia. Quando o jato deu algumas guinchadas ela chegou a escorregar, rindo com o susto. Assim que o fluxo de água saída daquele pequeno cano se estabilizou, Ligia se soltou. Tomou o cano da minha mão e começou ela mesma a se deliciar, enquanto eu me concentrava em manter o tranco. Começou a rebolar para cima e para baixo, para os lados. A situação se elevou a um nível que eu precisei me distrair recordando da escalação do Brasil de 70, que contava não só com Pelé, mas com Jairzinho, Tostão, Clodoaldo e Rivelino.
Como se uma sede arrebatadora tomasse conta de mim, me ajoelhei e comecei a chupar Ligia. Ela empinou sua bunda, me dando um ângulo propício para a finalização. Ela gozou em minha boca em alguns segundos. Virou ainda ofegante e tremendo e me beijou, me masturbando.  Ajoelhou-se e acomodou meu pau entre seus seios, subindo e descendo. Fechei os olhos e quando abri estava ensopando o peito da doida.
Encostei-me no azulejo frio e escorrei aos poucos para o chão, deixando a água me massagear as costas. Ligia se lavou e se aninhou em meu peito.
- Caralho, que fome... – ela disse, rindo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sábado Grato

Acordei em certa manhã de sábado sem saber que aquele seria um dia de samba. Com o sol batendo em meu rosto, eu acordei. Não que ele estivesse saindo agora, longe disso. O calor que fazia no quarto me indicava ser metade do dia, se não mais tarde.

Levantei devagar, cocei as costas e olhei para o relógio em cima do computador: 13h26. Enquanto me dirigia para o banheiro, escutei ao longe música. Coloquei a pasta na escova e fui até a janela, para assistir o cotidiano que passava lá fora. Com uma leve brisa acariciando meu rosto, viajei na paisagem verde que sombreava minha janela, procurando ao longo da rua de onde vinha aquela agitação. Obviamente vinha do bar. Percebi que de repente minha casa se tornou uma prisão e apenas aquele lugar seria minha libertação.

Apressei-me a colocar um short que pendia atrás de minha porta, vesti uma regata branca, para não fugir ao clichê, e cantei minha havaiana escada abaixo do prédio. No caminho cumprimentei Seu Miguel, o porteiro, e o Chico, o faxineiro que agora terminava sua quentinha no quintal do prédio. Fazia um dia lindo lá fora, e o céu limpo, como só em Brasília tem, se mostrava uma grande manta azul claro cobrindo a cidade.

Mesmo sendo um barzinho qualquer das comerciais da capital, a grande quantidade de gente em pé, sentada, dançando e, obviamente, bebendo e comendo era de impressionar. O coro de vozes que rugia alto competia apenas com a música vinda das pequenas caixas de com alojadas ao lado da cantora, do tamborim, do cavaquinho, do violão e do pandeiro. No ar, o cheiro do tabaco se misturava com o cheiro de fritura e cerveja derramada.

Ao chegar, Dodô, o botafoguense dono do boteco, acenou para mim e já retirou uma cerveja do refrigerador. Como não havia mesas, o velho me ofereceu uma cadeira encostada em uma pilastra:

- Opa, e aí Teteu, como vai? – disse ele, abrindo a garrafa e servindo meu copo americano.

- Tranquilão, Dodô, e tu?

Ele enxugou a mão no pano preso à cintura e sorriu - Tranqüilo também. Como vai seu velho?

- Jogando bola e bebendo, como sempre.

- Que bom. Já almoçou?

- Não. Que tem hoje?

- Bife com feijão tropeiro, arroz e cebola frita.

- Pronto, pode trazer então.

Ele fez um rápido jóia e se mandou no meio da galera. Tomei o primeiro gole de minha cerveja e acendi um cigarro. Foi então que vi a nega que cantava no bar: uma linda morena de olhos escuros. Sua pele escura e lisa combinava com a cor de seus dreads bem feitos e presos em uma tiara. O que contrastava em seu corpo eram a pequena camiseta verde e sua saia de pano cru, com bonequinhas presas às bordas. Sua boca dividia o tempo em que estava cantando, sorrindo ou mordendo os lábios. Nas mãos, o pandeiro fazia soar um samba muito bom, mas não perfeito. O que, é claro, não a tornava menos adequada para a situação. Pelo contrário, ela parecia parte do quadro que se pintava naquela tarde de Sábado.

No tempo em que comi, o samba continuou e além. Quando eu já pedia minha terceira cerveja, estava de pé com a cerveja na mão, com o x cigarro na mão, sorrindo e com vontade daquela mulher. Claro, ela estava na hora certa e no lugar certo. Um sábado que me parecia outro qualquer, agora era agraciado com ar daquela graça. E que gracinha... Quando ela fez um intervalo, tratou de começar a bebericar uma cerveja e se abanar, pelo calor infernal que estava.

Tratei de me aproximar. Como quem não quer muita coisa eu puxei um papo com ela:

- Cara, parabéns pelo som. Tá muito bom, viu?

Ela sorriu e acenou com a cabeça

- Obrigada, que bom que você curtiu.

- Pô, com certeza. É difícil mandar um sambinha raiz assim e sair legal.

- É verdade – concordou ela, rindo.

- Mas eu conheço de vista a galera que toca aqui e não lembro muito de você...

- Ah, eu sou afilhada do Dodô. Solange, mas o povo me chama de Sol.

- Prazer, Sol. Sou Teteu. Tu é do Rio? – perguntei em tom de chute. É claro que foi só charme, porque estava evidente que ela era carioca por seu sotaque luso-influenciado.

- Sou sim. Sou de Laranjeiras.

- Legal. Ta curtindo Brasília?

Mas antes que ela respondesse o cara do cavaquinho a cutucou e sinalizou que iriam voltar a tocar. Ela virou pra mim e sorriu. Sorri de volta e voltei para meu lugar. Pedi mais uma cerveja e escutei tranquilamente o resto do repertório, que durou mais uma hora. Quando ela já sinalizava cansaço, o tradicional cantor do conjunto assumiu o lugar dela. Ela passou no bar, encheu um copo e bebeu ele todo. Encheu o copo pela segunda vez e veio direto até minha mesa.

- Cara, deixa eu te falar: eu tô muito a fim de fumar um bico, tu num tem aí não? – e mordeu o lábio, arregalando os olhos como uma criança que espera a resposta por um pedido verdadeiro – pô, desculpa ser assim folgada cara, mas é que já faz uma semana que eu tô aqui e não trouxe nada do Rio.

Sorri, não sei se interessado como aquela intuição dela foi certeira, ou se porque além de linda e simpática, ela ainda curtia fumar um.

- Oxi, não precisa se desculpar não. Tenho sim, vamo ali em casa

- Massa.

Arranquei a carteira, calculei quanto minha conta dava e chamei o Dodô. Ele mandou um dos muleques que ajudava ela a servir buscar.

Como minha casa ficava ali perto, fomos andando devagar, conversando besteiras entre o cerrado e o litoral. Percebi que uma tattoo de três flores de anis estavam em seu ombro esquerdo. Harmonizava-lhe o corpo de uma forma linda.

Chegando a casa, fui um impecável anfitrião. Liguei um som – que propiciamente tocava Gottan Project. Abri um vinho nem caro, nem barato. Abri uma goiabada e ofereci com queijo. Acendi um leve incenso e, é claro, vários becks. Ficamos muito chapados.

Eu me lembro de todos os momentos, mas é difícil descrevê-los ao certo. Conversamos. Bebemos. Fumamos e rimos muito. Quando vi estava lhe acariciando os cabelos. Ela brincava com a borda do copo com a ponta do dedo. Eu lhe beijava e ela, bem, estava demais. Cheirei-lhe a nuca, sorvendo em bebericadas o seu suor causado pelo calor que emanava de seu corpo.

Ela afastou-me com uma mão, depositou o copo em cima da mesa e subiu em cima de mim no sofá. O sol do final da tarde batia em seu corpo todo, intercalado pela sobra das divisórias da janela, tornando-o uma mistura de laranja e negro. Não hesitei em tirar sua pequena blusa, que me mostrava seus seios desprovidos de qualquer sutiã. Ela me beijou enquanto desabotoava minha calça. Em um movimento quase que automático apalpei seus peitos e acariciei-lhes em retribuição daquele momento ótimo. Ela desceu e me chupou de forma maravilhosa, com suavidade e, vish, habilidade demais!

Peguei-a e a masturbei enquanto bebericava da ponta de seus seios bem aos poucos, deixando apenas pequenas pinceladas de saliva com a língua. Ela mordeu minha orelha, e já ofegava bastante quando me empurrou de volta e novamente subiu em mim. Ela estendeu a saia sobre o meu colo e ajeitou a calcinha para o lado. Assim que ela alcançou meu pau, ajeitou-o de forma a penetrá-la não na primeira – de prima é sempre difícil, mas na segunda.

Assim que ouvi seu primeiro gemido, não parei de escutar-lhe até gozar. É claro que nesse meio tempo ela puxou meu cabelo, e eu mordi seu pescoço. O tango eletrônico ditava o ritmo de nossa dança corporal. Ela cravou suas unhas em resposta, e eu mordi mais forte. O sol descia alaranjado, bem preguiçoso no horizonte. Ela puxou as unhas, acumulando uma fina camada de pele em baixo de suas unhas. Eu acariciava seu clitóris e quando ela já terminava, eu começava a gozar.

Após ela desabar em mim, rimos um pouco e ela não perdeu tempo:

- Vamo tomar mais uma cerveja?