domingo, 14 de abril de 2013

Muita loucura, muita alegria


                 Todo mundo me chama de drogado por aí. Rá, não, vocês não viram drogados. Pessoas como eu podem ser classificadas como usuários (crônico, se preferir) de drogas. Mas um drogado está além do simples usuário. Ele faz daquilo a sua vida, o seu universo. Existem aqueles que curtem os estimulantes, seja para um longo dia de produção, uma longa noite ou várias horas de sexo. Há também alucinógenos, que brincam com a mente, permeando diversas dimensões da mente em uma mesma realidade. E há os psicoativos, que interferem em suas trocas sinápticas, reorientando seu senso de realidade para, digamos, um ângulo diferente.
                Confesso que os alucinógenos nunca me interessaram. Cogumelos ou Salvia transportam as pessoas para outros planos, e talvez seja isso que as pessoas procuram, mas não eu. Sempre entendi as drogas como possíveis extensões sensoriais, capazes de lhe fazer atingir sensações não antes experimentadas ao ponto de relativizar até mesmo suas concepções mais antigas, mais íntimas.
                Foi com esse pensamento na cabeça que eu queimava aquele Lemon Skunk que Sarinha me deu. Deus, que mina maluca, véi. Com um dinheirinho de herança comprou um pequeno terreno à 53 km do centro, e com pouco menos do total da herança conseguiu construir um galpão de 10x10, onde montou seu... hum... "ateliê". O galpão de madeira se assemelhava muito à um depósito rústico, exceto pelas telhas transparentes que salpicavam o teto e pelas paredes de madeira envernizada, que conferia um aspecto de novo à construção. Com o que restou da grana, encomendou 4 sementes feminilizadas de AK-47, fertilizantes, lâmpadas potentes e acessórios de jardinagem.
                Em 4 meses, com a ajuda de tutoriais de blogs e vídeos do youtube ela conseguiu produzir o bastante para financiar a próxima produção triplicada e ainda pagar algumas de suas contas. Desde então ela tem vendido ganja da melhor qualidade, em média escala e lucrando muito.
                Na intenção de colaborar com esse lucro foi que eu aparecia em uma tarde de Sábado em seu terreno para financiar minha loucura. O galpão ficava localizado em uma clareira por entre uma vasta quantidade de árvores. Sara teve o cuidado de escolher um terreno cheio de árvores, pouco importando o preço quase duplicado com o qual precisou arcar. Queria evitar curiosos, até os que olhavam de cima. A clareira era cercada por uma densa matava fechada, e a única coisa que evitava com que o mato avançasse para dentro do perímetro do galpão era uma cerca de arame levantada para separar o área de pedra brita e de mata fechada. Estacionei ao lado de seu antigo Fiorino e me direcionei à porta. Um interfone que continha uma câmera acoplada fez soar a voz de Sara depois que chamei.
                - Quem é? - disse a lânguida voz de Sarinha.
                - É Teteu, doida, abre aí - e abri um sorriso para a câmera.
                - Tá - e fez a tranca anunciar meu livre ingresso ao Galpão.
                Uma infinita variedade de cheiros e cores inundaram meus olhos. Os odores doces e cativantes penetravam às narinas como um incenso exótico de ervas. As cores, na maioria das vezes valorizadas pelas potentes lâmpadas incandescentes, variavam entre laranja, verde bem claro e roxo. Por entre diversos cilindros de alumino que abrigavam plantas que saltavam galhos aqui e ali eu encontrei Sara, terminando de podar algumas plantas. Quem diria que aquela nerdzinha que começou Química na universidade, varando noites no laboratório e se matando para cumprir bolsas de pesquisa iria se transformar em uma da traficantes mais bem sucedidas do ramo.
                Conheci Sara ainda no cursinho, quando escapava de uma aula pra acender um béquin. Havia escapado para um parquinho próxima à escola, quando ela me abordou:
                - Cara, você tá na B3, né?
                Eu olhei pra aquela doce criatura de cabelo trançado e piercing no nariz e respondei, cauteloso:
                - To sim, e tu?
                - To lá também, mas to no fundão - ela riu, denunciado sua posição. Que merda é essa aí que você tá queimando?
                - O prenpren da loucura, nossa mais fina rapadura - sorri. Ela fez uma cara de nojo.
                - Guarda essa parada aí, vamo fumá coisa melhor - e sacou uma bomba da bolsa. Arregalei meus olhos e salivei.
                - Rapaz, que charas!
                - É que eu tô muito cabeçona pra esse vestibular - disse ela, rindo e tacando fogo na babilonia. Um cheiro de flores penetrou forte no meu nariz.
                Quando fumei, bastou 2 tragos para que eu estivesse tossindo loucamente, lacrimejando e esquentando a cabeça. Minha pressão baixou tanto que tive que sentar no meio fio, de cabeça abaixada. Quando me recuperei, as luzes do mundo estavam tão fortes que eu precisei retirar meus velhos óculos escuros da bolsa pra sustentar a lombra.
                - Que baguio doido, véi - balbuciei, retardado.
                - Pois é, se quiser um pouco fala que eu sei como arranjar - disse ela, que havia fumado 3/4 do beise. Piscou o olho e me deixou lá, morgando.
                Não que Sarinha fosse uma traficante comum. Seu negócio passava longe do crime organizado e toda aquela áurea ruim. Seu negócio era a máxima discrição. Não usava outra forma de contato se não o boca a boca, e ainda assim não permitia visitas. Contava com apenas 1 intermediário que trabalhava entregando suas encomendas. Ainda assim, nunca encontrava diretamente a figura, passando a mercadoria através de um armário no vestiário de uma atlética de curso que alugava há anos, onde deixava uma mala com a mercadoria, os endereços e o pagamento da entrega passada. O contato havia se apresentado apenas uma vez, e desde então operavam apenas através de um encontro mensal marcado previamente no encontro passado. Sem endereços, sem nomes, sem intimidade.
                Eu, no entanto, era diferente. Já comprava dela há uns 3 anos, e como ficamos amigos, ela permitia que eu fizesse visita à sua produção, quando nos reuníamos para negociar boa ganja e fazer grandes sessions. Ela era inteligentíssima, tinha planos para o seu mestrado, e estava apenas esperando a grana pra financiar um apartamento e fechar as contas. Não dava pra ficar naquele esquema pra sempre. Não existe aposentadoria pra traficante.
                Segui até o fim do corredor de inúmeras plantas de todos os tipos e avistei uma porta semi-aberta. Era lá que Sara fazia suas podas e seleção de seus buds. Ela estava sentada em frente à uma amostra de erva, analisando algumas amostras com uma lupa. Por cima da mesa estavam espalhadas ferramentas dos mais variados tipos: alicates de poda, tesouras de todos os tamanhos, escovas, pinças, giletes. As prateleiras sustentavam potes de fertilizantes de todos os rótulos. Terminava de lacrar uma bolsa isolante contendo vários saquinhos com tipos de ervas diferentes.
                - Coquetel da jamaica - disse ela, me entregando o saco. Percebi que estava um pouco suada, e com olheiras, apesar de seus olhos estarem bem vidrados.
                - Apropriado para um clima tropical?
                - Refrescante, sem dúvidas - disse ela, me abraçando. Como você tá?
                - Tomando meus remédios todos os dias, e você?
                - Precisando de unzinho, que tal? E sacou, com a mesma sagacidade da primeira vez que fumamos, um puta charas.
                - Com você num tem miséria, né fia?
                Ela riu e ascendeu a tora. Fumamos a tarde toda, conversando sobre coisas mil. Ela parecia elétrica quando cheguei, mais aos poucos foi murchando. Pensei que ela estava só relaxando pela massa, mas me contou que na verdade estava virada de uma noite inteira pra antender uma galera do final de semana, e havia tomado uma bala pra ficar ligada.
                Quando começou a anoitecer, disse que teria de ir embora, pois já estava tarde. Ela me pediu para ficar, porque precisaria dormir ali mesmo até o dia seguinte e não havia trazido seu computador, então estaria muito só. Como já estava muito sonolento, e com preguiça, e com más intenções, aceitei. Jantamos alguns sanduíches antes de tombar na cama. Eu ainda tinha uma pequena disposição, mas assim que comecei a me aproximar dela na cama de casal ouvi seu ronco pesado. Desisti e me entreguei aos braços de Morfeu.
                Acordei no dia seguinte com Sara sentada à beira da cama, cortando algo.
                - Bom dia - espreguicei.
                Ela se virou com um pequenito papel na mão e enfiou-o na minha boca.
                - Hoje vai ser dia de playground - e riu, fechando minha boca.
                O pequeno pedaço de papel amargou minha boca, e logo percebi o gosto de LSD em minha boca. Engoli-o, e tão logo ela tirou a mão da minha boca, colocou um beise e acendeu. Torramos outro charas, e, de estomago vazio, em meia hora eu já estava enroscado nela, sem saber pra que lado o mundo tava girando. Eu sentia cada centímetro de sua pele contra a minha, e esfregavamos nossos corpos um no outro, como que para contagiar-nos mutuamente com nossa loucura. Sara também estava adocicada, e delirava e suspirava toda vez que eu passava minhas largas mãos por seu pescoço, suas costas, sua barriga, sua coxa. Não demorou muito e ela estava acariciando meu pau, fazendo-o... como diz aquela musica do Bob? "Get up, stand up!".
        Já estavamos completamente nus quando começamos a nos penetrar. Experimentamos diversas posições. Frango assado, cavalgada (normal e invertida), de ladinho. Como ela era pequeninha, consegui até carregá-la e transamos em pé. O sol penetrava o pequeno quarto por uma pequena janela, penumbrando o quarto com o Sol da manhã, começando a abafar o ambiente. Nós suávamos em razão da anfetamina do papel, e depois de quase uma hora já havíamos transado tanto que eu precisei de um tempo pra ir tomar uma água. Quando voltei, ela estava de perna aberta na cama, ainda ofegante e se tocando de leve.
              - Já tá se preparando pro segundo round? - perguntei, passando-a um copo de água gelada.
                - Você me deixou toda assada, seu sacana - disse ela, bebendo do copo e despejando metade do seu conteúdo em cima da buceta.
                - Ah cara, é a empolgação, né? - disse, beijando-a.
                - É, mas agora vai ter que ser de outro jeito. Foi até o pequeno criado mudo (o único móvel do quarto, tirando a cama), pegou o que parecia ser um creme hidratante.
                - Vai passar um hipoglós? - brinquei.
              - Vou improvisar um KY - disse, ficando de quatro e começando a untar seu cú com um pouco de creme. Entendi na hora o que ela estava sugerindo, e ajudei-a a lubrificar-se. Após algum tempo passando o creme e estimulando-a de leve com os dedos eu já estava duro o bastante para penetrá-la.
                Já havia tentado sexo anal, mas apenas por alguns minutos, e sem o entusiasmo do doce. Aquela vez estava sendo diferente. Eu sentia cada centimetro do meu pau entrando bem devagar, deslizando para dentro e para fora suavemente, sempre me atentando à sua mão que impunha o limite de até onde eu poderia enfiar. E foi reduzindo a margem até que pude penetrá-la livremente. Daí pra frente estoquei-a cada vez mais excitado, aumentando o ritmo enquanto ela se masturbava desinibidamente, gemendo com um leve tom de dor e grandes notas de prazer. Eu já estava esbaforido, e sentia uma pressão  deliciosamente forte em meu pau. Foi quando ela já estava quase toda deitada na cama, com sua bunda arrebitada ao máximo ângulo que lhe era permitida, cansada de tanto fazer resistência às estocadas, que gozei. Sentia cada músculo do meu corpo se retesando, dando vazão à um orgasmo monstruoso. Só consegui me jogar ao seu lado, exausto, enquanto ela rolava pro meu lado.
                Se aninhou ao meu lado e, acariciando minha barriga disse:
              - Vamo pra um riacho que tem aqui perto? Preciso me refrescar pra poder sentar de novo - e riu, doidona.

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