quinta-feira, 11 de abril de 2013

Na loira do banheiro


Doido não. É insuficiente pra me definir aquela noite. Cheirei, bebi e fumei. Não sei o que, não lembro que horas, nem quantas vezes. Acho que muito chapado é o que de fato me define. Mas você acha que é sobre isso que eu to falando? Oras, por favor, geral sabe que noites assim são fartas. Aquela não era a primeira e não seria a ultima por muitos anos ainda.
Não, o que eu quero contar é como que através daquela loucura toda eu ainda estava consciente do processo de aproximação de uma galega linda. Linda mesmo, véi. Cabelos dourados, branquela da pele lisinha. O rosto todo simétrico, com olhos grandes e profundos, além de um sorriso safa-animado. Seios pequenos, firmes e empinados, cobertos por uma camisa de seda branca com um top por baixo. Sua cintura comprimida por um shortinho, nem tão “inho” assim, balançava como um pêndulo ditando a batida do ragga. Descia e subia com desenvoltura invejável (e por muito sugestiva, ah sim, minha mente não parava, a concentração tava foda) de mina que sabe o que é a pista.
Quando me dei por conta, eu estava mordendo meu lábio, todo desejoso. Minha sorte é que o molotov de drogas que eu havia consumido não estava me impossibilitando de representar na pista. Não sei nem se eu conseguir pensar muito claro, na real. Tudo o que lembro daquela noite é como se alguém tivesse contado a história pra mim.
De qualquer forma, iniciei minha aproximação. Ao mesmo que eu me achava o máximo, eu achava tudo muito engraçado. Eu exibia um sorriso contínuo e prolongado como um escudo da minha doideira. Se era bonito eu não sei, mas quando eu cheguei perto da galega ela me olhou e sorriu. Pronto, aquele momento que você enxerga por onde. Abri os braços e dei prosseguimento ao ritual: alinhamos cintura a cintura e marcando o compasso da música. Ao me aproximar de seu rosto senti o cheiro fraco do perfume sendo sobrepujado pelo cheiro de suor e hormônios mil. Desviei o rosto para não evidenciar o tesão que eu estava sentindo, mas me denunciei de tão doidão que estava, porque virei o rosto e dei uma risada cretina. Ela percebeu e riu também, sem deixar que nos desalinhássemos. Segurei as alças de  cinto de seu short e colamos os rostos.
Julguei que pelo ritmo de sua respiração e pelos engraçados movimentos que ela fazia soltamente com o braço, apesar de a cintura ser precisamente rebolante, que ela também não estava exatamente sóbria. Incrível com as pessoas podem tornar-se sexualmente mais interessantes quando estão doidonas. Os movimentos que demorariam horas de desinibição e intimidade resumidos a poucos minutos de intensidade energética, e já estava preparado. Com aquele coxa com coxa eu comecei a ficar muito excitado ali mesmo, no meio da pista.
O pouco que eu arriscava olhar em volta era uma mistura borrada de luzes e pessoas, neblinadas por um gelo seco. A pista estava abarrotada, e o calor era crescente. O peso do som batia tão forte que chegava a tremer. Sintetização comendo solta, empoderada por graves robustos e uma batida forte eram a motriz de uma massa de pernas e braços. Suor e hálito eram bens comuns a todos os dispostos a dançar.
Sem me agüentar mais eu procurei seus lábios e achei-os abertos em um meio sorriso. Sorri alguns segundos antes de trocarmos os primeiros fluidos da noite. Sua língua era molhada e esguia, tanto que precisei colocar a mão por trás de sua nuca para ver se conseguia acompanhar o que cada vez mais se transformou uma louca randomização de movimentos. Continuamos a dançar, só que dessa vez nossas mãos alisavam um ao outro como se fossemos esculturas de lama.
Entorpecidos pelo clima (e outras cositas mas) nós ficamos assim por horas, pelo menos eu achei que eram. Alguns movimentos enganavam meus olhos, deixando um rastro de quadros, como quem em câmera lenta. Por vezes eu me arrepiava sinistramente, causando risos na linda galega, como se ela gostasse de saber do sucesso de suas carícias. Aquela contínua situação de estímulo me fez começar multiplicar a loucura. Eu já sentia estar nu mesmo depois de me certificar que eu ainda continuava vestido.
Como que lendo meus pensamentos, a branquela me puxou pelo braço. Abria caminho com destreza por entre a loucura. Eu tentava acompanhar aquela pressa em meio a uma tontura que ameaçava me tirar o equilíbrio, além de uma repentina ereção que me transformava em um cutucador involuntário e indesejável. Tudo o que eu podia fazer era rir (que a essa altura do campeonato estava mais natural do que respirar) e tentar me esgueirar para não perder aquela mãozinha branca.
Deu um safanão na porta depois de ter empurrado todas as doidas que saiam e entravam no banheiro. Me puxou um beijo, e guiei-a até um dos boxes. Nos trancamos sem saber se respirávamos, se nos apalpávamos ou sei lá o que. Lembro que tudo foi muito rápido, mas as cenas que vêm à minha memória sempre estão em câmera lenta. Eu passando o braço por trás de sua cintura, ela se enroscando à minha cintura. Começamos a tirar as roupas assim, encaixados em pé. Quando estávamos nus o suficiente, ela conseguiu apoiar suas pernas na parede logo atrás de mim, de modo a ficar suspensa no Box. Formamos uma espécie de Y, o que me deixou livre para penetrá-la de forma versátil.
Mergulhamos então num mar de arfadas e gemidos contidos. Nossas mãos estavam ocupadas demais trabalhando no equilíbrio de nossa posição, restando-nos apenas a boca e tronco como forma de excitação. Ouvimos alguém perguntar “tem um homem aqui dentro?”. A galega, que gemia agora bem alto, para ocupar sua boca resolveu cravar uma dentada sem fim no meu ombro esquerdo, me segurando como podia. Quase perdi o equilíbrio. Derretia de tanto prazer.
Quando começamos a ficar desconfortáveis, ela desceu, e se virou, me deixando livre para penetrá-la por trás. Sentindo-me na obrigação de retribuir os arrepios, tirei seus cabelos para o lado beijei-lhe a nuca, mordiscando-a quando podia. Ela colocou sua mão por trás da minha cabeça e puxou meus cabelos para trás, como que para ceder, mas eu não cedia. Aos poucos eu aumentava o ritmo das estocadas, acariciando suas costas de vez em quando.
Foi então que ela reclinou ficando quase toda ereta, e cravou suas unhas por trás da minhas costas tendo leves espasmos de prazer. Ao escutar seus gemidos finais eu também  não conseguia mais me conter, e gozei. Sentei na tampa abaixada do vaso e me dei por vencido. Ela sentou-se em meu colo, abriu sua minúscula bolsa (meu deus, tinha uma bolsa!) e retirou um baton, de dentro do qual retirou um fininho. Sem dizer uma palavra, passei-lhe o isqueiro e sorri. Eu nem sei qual é o som da voz dela.

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