Eu trabalhava na edição de um vídeo
quando recebi uma mensagem no celular. “Fui liberada mais cedo, tá fazendo o
que?” dizia ela. Arquiei a sombrancelha, hesitante por um tempo, mas aceitei.
Tava ficando com a Fernandinha já há algum tempo, e tava legal. A mina era
gente boa, independente e boa de cama. E olha que eu nem sou muito de
compromissos, mas eu estava tão na rotina nos ultimos tempos, aceitando vários
trampos pra pagar as prestações da moto, que aceitei a tal vida de casado em
bom tom. Saíamos juntos algumas vezes no mês, mas o bom mesmo eram essas
rapidinhas no final da tarde. Ela também estava na correria de um mestrado e do
trabalho, então calhávamos um ao outro. Acho, alias, que isso deixava o sexo
bem gostoso, pois eram duas pessoas querendo um momento para desestressar e
suprir aquela carência rotineira.
O problema é que o ser humano é um
bixo insatisfeito, e assim eu estava. Havia ficado com outra mina no final de
semana, e acabei acordando pro arroz com feijão no qual eu estava. Só havia aceitado
me encontrar com ela aquela tardezinha de quinta porque a semana tinha sido
dura, mas eu já ensaiava uma conversa com a Fernandinha pra gente dar um
tempinho, vê se dava mais uma animada. Ela era uma garota tranquila, achei que
ia topar numa boa. Mas é claro que eu só ia falar depois do sexo. Não ia
estragar o clima.
A porta bateu e eu mandei entrar,
premonindo ser ela. A Fê era uma morena da minha altura, por volta de um e
oitenta e poucos, magra e proporcional. Tinha olhos levementos puxados e uma boca
que sorria uma alegria contagiante, não importando o momento. Acho que esse era
outro motivo pelo qual eu gostava tanto dela: não importava a situação, o
sorriso daquela menina sempre me animava. Vestia uma calça jeans e uma blusa de
manga curta por baixo de um pequeno colete preto de algodão.
Deixou a sandália na entrada da casa
e pegou um copo d'agua. Quando olhei para ela, com olhos de carência, ela riu e
fez sinal para esperar enquanto terminava. Me deu um beijo na testa rápido e
foi ao banheiro.
-
Pera que eu tô apertada – riu.
Eu ri, já sentindo a rotina me
apertar.
- Claro, vai lá – saí, deitando na
cama e alcançando uma ponta que estava no criadomudo.
Ela começou a falar do dia enquanto
terminava de mijar, mas eu já absorvia tudo com passividade. Não sei porque,
mas as pessoas costumavam se sentir a vontade para falar sobre os problemas de
suas vida comigo. Alguém havia me dito uma vez que eu era um bom ouvinte, mas
eu quase sempre estava em outro lugar, e aquela era a minha capacidade de ouvir.
Alias, descobri que essa é exatamente a habilidade que as pessoas de hoje em
dia procuram: quando você escuta um desabafo, uma confissão, uma dúvida;
percebe que ninguém está de fato interessado em dialogar, mas sim em externar.
No fundo, as pessoas só querem falar, e não se sentirem sozinhas.
- ... aí eles prometeram escrever a
carta ainda essa semana, mas não vai dar tempo para a próxima reunião.
Descuidado, não disfarcei minha
falta de atenção e fui apanhado por um olhar de interrogação assim que terminava
de dar uma longa bola. Ofereci o beck e ri.
- Desculpa, nega, tô viajando aqui.
Minha cabeça tá a mil.
- Ih, de boas. Eu também fico te
enchendo com minhas paradas, não tem nada a ver, né? - disse ela deitando na
cama.
Abracei-a por trás, passando o braço
por baixo de seus peitos e me aconcheguei. “Mimimi, minhas paradas” murmurei,
brincando com o lóbulo de sua orelha entre os dentes. Ela riu, engasgando de
leve com a fumaça. Jogou a pontinha no lixo ao lado do criado mudo e me beijou.
Após degustar de alguns minutos de saliva mentolada, senti-a ofegar. Passei os
braços em sua cintura e girei-a para cima de mim. Ela quis me beijar, mas eu
coloquei a mão em seu peito e deslizei com a ponta dos dedos através da sua
barriga até a sua boceta, fazendo-a rir e gemer ao mesmo tempo. Masturbei-a
devagar, lento, tranquilo, mais rapido. Ela então tirou minha mão, girou o
corpo para o lado e começou a tirar sua calça. Tratei de fazer o mesmo. Quando
me livrei da cueca, virei para ajuda-la a desabotoar o colete e tirar a camisa.
Passei, então, para cima dela e nos esfregamos durante um tempo.
Tive uma cômica epifania naquele
exato momento. Reparei em um hábito rotineiro que havíamos criado: decidíamos a
posição que íamos ficar de acordo com o cansaço de cada um. O pior é que
estávamos mais pobres ainda, porque só era eu por cima dela ou ela por cima de
mim. Eram as duas posições em que uma fica sentada e outro deita, ou os dois
deitam. Senti um repentino tédio que me desistimulou. Não sei se era o cansaço
daquele dia, mas novamente não consegui disfarçar e ela notou.
Mas ao contrário do que eu esperava,
ela reagiu de forma... genial. Agarrou meu pau e mordeu meu mamilo enquanto me
masturbava. Me peguei fechando os olhos e rindo. Aquilo fugia ao protocolo.
Como que premonindo meus pensamentos ela escorregou a mão até minhas bolas,
dando uma leve massagem. Eu agarrei seus cabelos por trás, tirando sua cabeça
dos mamilos e arrancando uma risada sacana. Dava pra sentir, além do meu
próprio prazer, o prazer que ela sentia em causar aqueles arrepios. Mal sabia
eu que aquele era um sinal do seu próximo movimento.
Seu dedo se arrastou ligeiro até o
meu cu, e antes que eu pudesse conter a risadinha involuntária seguida de uma
sensação de pânico, ela me penetrou. O movimento só não me surpreendeu mais do
que o gemido de prazer que soltei ao sentir aqueles estímulos... novos. Olhei
pra ela, procurando uma explicação, mas tudo o que a sacana fez foi rir. Prosseguiu
então o movimento, tirando o dedo e colocando de novo. Fechei olhos e o cu.
Rapaz, eu não sabia direito o que tava rolando. O que sei era que já na
terceira incursão do dedo eu estava tão excitado ao ponto de sentir meu pau
latejar.
Estiquei a mão entre suas pernas e
comecei a retribuir-lhe o prazer. Melhor, a me vingar. Escorreguei um dedo para
seu anel, e me satisfiz quando vi sua cara de dor prazerosa, quase retirando o
seu próprio dedo de mim. Passei então a perna por cima de sua cabeça, e fizemos
um meia nove com fio terra durante algum tempo até gozarmos (eu antes dela,
claro). Tombei para o lado, entorpecido. Já ouvira antes sobre os prazeres de
uma massagem na próstata, mas nunca imaginei que chegava àquilo.
Fernandinha se levantou, me sorrindo
de forma acusadora. Coloquei o dedo que a havia penetrado na frente do seu
nariz, e ela me deu um tampa na barriga. Levantou, se vestiu, me mandou um
beijinho e foi embora. Afinal, a rotina não para.