A gente girava batendo o pé na
terra tão forte que a nuvem de poeira começou a tomar conta da cena. Os
tambores trovejavam um coco selvagem, daqueles hipnoticamente ensurdecedores. Eu
estava em um frenesi tão grande que meus dedos começaram a latejar com as
pancadas da sola do meu pé comprimindo o chão, marcando o tempo quase que por
instinto. Mas o que se sentia quando tocava o chão é que ele também parecia
mexer. Uma multidão de gente girava de forma randômica. A massa de corpos
suados se movia como formigas tocadas a fogo do formigueiro, fugindo por vida.
Era vida que eles procuravam, e eu também.
Foi nesse intuito que eu
encontrei a Jura. Ela chacoalhava a saia com uma das mãos, enquanto a outra
mantinha a mão na lombar, logo à cima daquele bundão bonito de dar gosto. Eu já
tinha lá tomado umas pingas, e suava como se estivesse chovendo apenas em cima
de mim. Ela sorriu abrindo a boca quando eu cheguei perto dela dançando meio
torto, mas não sem alguma ginga. Parei quando a olhava de lado, e consegui sentir
o calor emanar do corpo um do outro.
Já não haviam mais muitos
pudores entre nós. Nos topamos em alguns encontros, ficamos algumas vezes e não
nos vimos durante um longo tempo. Só haveria de encontrar ela agora, por
coincidência, naquele encontro de povos tradicionais. E não havia oportunidade
melhor, na verdade. Eu sempre cobicei me deliciar naquela coisa boa demais, agarrar
bem aquelas coxas fartas, morder seu cangote e me esfregar naquela bunda maravilhosa
de Jah!
Estava uma noite linda de céu
estrelado sem lua. As parcas luzes de postes antigos competiam com a radiância
do manto que se estendia sobre o céu da cidade. Aquele lugar tinha sua magia,
com certeza, não era por acaso eu arrepiava de tanta euforia. Jura devia ter
percebido minha leve embriaguez, porque começou a assoprar meu rosto e a rir de
quando em quando. Eu ria com ela sem entender porque, mas de fato achava
engraçado.
- Calor da porra, viu véi? –
disse pra ela quando os tambores silenciaram durante algum tempo.
- Ahimaria, velhu, você ta
achando isso aqui quenti, é? – me perguntou ela com prazer nos lábios. Empinou
o nariz e sorriu – Lá em Maceió isso é uma noite de frio!
Eu ri com aquele sotaque
alagoano tão naturalmente entoado. Ela riu também. “É sériu”, insistiu ela com
a voz tão carregada de risos que denunciavam seu charme. Estendi a ela a
garrafa de alguma cachaça artesanal que havia comprado na feira. Era feita no
barriu de umburana, e descia rasgando como só as boas cachaças do Goiás descem.
Gotículas de líquido amarelo escorregaram por entre seu pescoço, descendo por
entre seus peitos e desaparecendo dentro da bata, ou confundindo-se com a
camada de suor que não chegava a escorrer, mas a formar uma segunda pele
liquida pelas vastas partes de seu corpo que não estavam cobertas. Dois, três,
quatro goles, fíh, a mina num era brincadeira. Enxugou a boca com as costas da
mão e me devolveu a garrafa rindo e piscando o olho esquerdo pra mim. Não
contive o sorriso. Não contive a leve ereção, não mesmo.
- Bora torra um? – perguntei
quando a música parou para trocar de grupo musical.
- Parei com a massa – disse
ela sorrindo.
- Pff... rá! – brinquei e,
percebendo que ela não estava brincando – pô, real? Então vamo ali pr’eu fumar
e tu me faz compania, pira?
- É isso – disse, e tomou a
garrafa de cachaça de novo da minha mão.
Seguimos uma das poucas ruas
do vilarejo, observando as cores da cidade incrementadas por postes e balões de
papel implodidos por pequenas lâmpadas elétricas. Uma multidão percorria
inúmeras barracas, e aqui ou ali formavam-se rodas de gente musicando, bebendo,
fumando e curtindo. Jura mesmo estava a rodopiar com as mãos para o ar,
dançando para todos e para ninguém.
Tomei sua mão por um beco
entre um conjunto de casas de alvenaria. Quando chegamos à encruzilhada, rodei-a
pelo braço para que encostasse no muro e tomei a cachaça de sua mão. Tomei
alguns goles, e ela me roubou a garrafa de novo.
- Vai, fuma logo esse negócio
aí – disse ela fingindo birra.
Olhei-a com um sorriso
incriminador e comecei a bolar o chosen. Traguei profundo umas duas vezes, mas
ela tomou-o da minha mão, puxou uma profunda tragada e, antes que eu pudesse
repreende-la por ser tão sacana, ela envolveu meu pescoço com o braço e me
passou a fumaça com a boca. Atordoado, traguei, segurando as lágrimas que me
subiram aos olhos por causa da ardência súbita que senti na garganta. Soltei a
fumaça pelo nariz, mordi-lhe os lábios e voltei a tragar o beise, enquanto ela
lambia meu pescoço com a ponta da língua. Puxei-a com cuidado pelos cabelos e
coloquei o cigarro na boca dela. Afastei a cabeça para trás, ajeitei o cabelo e
voltei a prensa-la contra a cerca de arame que cercava a casa.
As casas em volta estavam
quietas, e estávamos iluminados apenas pelo amarelo de dois postes das ruas,
que chegavam a formar pouco mais que uma penumbra. O chão de terra batida com
pedra brita formava um pequeno caminho de formiga por entre as cercas das
casas. Mania das cidades onde os caminhos são feitos para pessoas, não para
carros.
Quando eu tentava fumar a
ponta, ela já escorregava suas mãos por dentro da minha bermuda. Estremeci, mas
quando me recobrei já estava duro. Ela começou a me masturbar devagarzinho,
enquanto eu enchia sua boca com minha língua. Nossas respirações já estavam
ofegantes quando girei-a para o muro. Levantei sua saia e coloquei meu pau por
entre suas pernas. Ela rebolava, esfregando suas coxas envolta do meu pau.
Quando não aguentávamos mais ela abaixou sua calcinha e se inclinou para
frante, arrebitando a bunda. Desci até a sua buceta, afastando suas pernas e
lambendo-lhe de baixo a cima. Ela arrepiou, rindo um pouco, mas logo
entregou-se à seus gemidos quando penetrei-a devagar. Eu estava louco de tesão,
mas me movia lento e paciente. Logo estava dando estocadas mais fortes. Ela se
agarrava à cerca de arame, de cabeça abaixada, gemendo cada vez mais forte.
Enfiei minhas mãos por dentro de sua camisa, agarrando seus peitos. Ela
virou-se para me beijar por um instante e voltou a se apoiar na cerca. Retomei
as estocadas, puxando seus cabelos, dando-lhe alguns tapas nas nádegas, me
excitando com as ondas que aquele bundão produzia a cada impacto com a palma da
minha mão.
Continuamos durante algum
tempo nesse mesmo ritmo, até eu gozar, justo quando ela agarrava minhas nádegas
com a unha. Estremeci durante algum tempo, tirei meu pau de lado e ela se
abraçou à mim, ambos ofegantes. Acariciei-lhe os cabelos, mas antes que ela
pudesse desistir de continuar, desci até sua bunda arrebitada e comecei a
chupá-la. Ela inclinou a cabeça para trás, gemendo baixinho. Dez, quinze, vinte
minutos se passaram sem que ela se mexesse mais do que botar a mão na minha
cabeça, acariciando-me, e inclinando o quadril de vez em quando para frente e
para trás. As vezes soltavam um "ohhh...", ou "isso...", e
"que gostoso", "huuuuuum...". Eu me deliciava, sentindo o
gosto de sua buceta, que variava entre ácido e salgado, mas extremamente
delicioso. Ela gozou em meio à suor e puxadas violentas no meu cabelo, e
enquanto suas pernas tremiam, abracei-a forte. Assim que recuperou fôlego,
olhou pra mim, beijou-me e pediu sinceramente:
- Bote mais um aí velhu - e
sorriu, doida.
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