Acordei em certa manhã de sábado sem saber que aquele seria um dia de samba. Com o sol batendo em meu rosto, eu acordei. Não que ele estivesse saindo agora, longe disso. O calor que fazia no quarto me indicava ser metade do dia, se não mais tarde.
Levantei devagar, cocei as costas e olhei para o relógio em cima do computador: 13h26. Enquanto me dirigia para o banheiro, escutei ao longe música. Coloquei a pasta na escova e fui até a janela, para assistir o cotidiano que passava lá fora. Com uma leve brisa acariciando meu rosto, viajei na paisagem verde que sombreava minha janela, procurando ao longo da rua de onde vinha aquela agitação. Obviamente vinha do bar. Percebi que de repente minha casa se tornou uma prisão e apenas aquele lugar seria minha libertação.
Apressei-me a colocar um short que pendia atrás de minha porta, vesti uma regata branca, para não fugir ao clichê, e cantei minha havaiana escada abaixo do prédio. No caminho cumprimentei Seu Miguel, o porteiro, e o Chico, o faxineiro que agora terminava sua quentinha no quintal do prédio. Fazia um dia lindo lá fora, e o céu limpo, como só em Brasília tem, se mostrava uma grande manta azul claro cobrindo a cidade.
Mesmo sendo um barzinho qualquer das comerciais da capital, a grande quantidade de gente em pé, sentada, dançando e, obviamente, bebendo e comendo era de impressionar. O coro de vozes que rugia alto competia apenas com a música vinda das pequenas caixas de com alojadas ao lado da cantora, do tamborim, do cavaquinho, do violão e do pandeiro. No ar, o cheiro do tabaco se misturava com o cheiro de fritura e cerveja derramada.
Ao chegar, Dodô, o botafoguense dono do boteco, acenou para mim e já retirou uma cerveja do refrigerador. Como não havia mesas, o velho me ofereceu uma cadeira encostada em uma pilastra:
- Opa, e aí Teteu, como vai? – disse ele, abrindo a garrafa e servindo meu copo americano.
- Tranquilão, Dodô, e tu?
Ele enxugou a mão no pano preso à cintura e sorriu - Tranqüilo também. Como vai seu velho?
- Jogando bola e bebendo, como sempre.
- Que bom. Já almoçou?
- Não. Que tem hoje?
- Bife com feijão tropeiro, arroz e cebola frita.
- Pronto, pode trazer então.
Ele fez um rápido jóia e se mandou no meio da galera. Tomei o primeiro gole de minha cerveja e acendi um cigarro. Foi então que vi a nega que cantava no bar: uma linda morena de olhos escuros. Sua pele escura e lisa combinava com a cor de seus dreads bem feitos e presos em uma tiara. O que contrastava em seu corpo eram a pequena camiseta verde e sua saia de pano cru, com bonequinhas presas às bordas. Sua boca dividia o tempo em que estava cantando, sorrindo ou mordendo os lábios. Nas mãos, o pandeiro fazia soar um samba muito bom, mas não perfeito. O que, é claro, não a tornava menos adequada para a situação. Pelo contrário, ela parecia parte do quadro que se pintava naquela tarde de Sábado.
No tempo em que comi, o samba continuou e além. Quando eu já pedia minha terceira cerveja, estava de pé com a cerveja na mão, com o x cigarro na mão, sorrindo e com vontade daquela mulher. Claro, ela estava na hora certa e no lugar certo. Um sábado que me parecia outro qualquer, agora era agraciado com ar daquela graça. E que gracinha... Quando ela fez um intervalo, tratou de começar a bebericar uma cerveja e se abanar, pelo calor infernal que estava.
Tratei de me aproximar. Como quem não quer muita coisa eu puxei um papo com ela:
- Cara, parabéns pelo som. Tá muito bom, viu?
Ela sorriu e acenou com a cabeça
- Obrigada, que bom que você curtiu.
- Pô, com certeza. É difícil mandar um sambinha raiz assim e sair legal.
- É verdade – concordou ela, rindo.
- Mas eu conheço de vista a galera que toca aqui e não lembro muito de você...
- Ah, eu sou afilhada do Dodô. Solange, mas o povo me chama de Sol.
- Prazer, Sol. Sou Teteu. Tu é do Rio? – perguntei em tom de chute. É claro que foi só charme, porque estava evidente que ela era carioca por seu sotaque luso-influenciado.
- Sou sim. Sou de Laranjeiras.
- Legal. Ta curtindo Brasília?
Mas antes que ela respondesse o cara do cavaquinho a cutucou e sinalizou que iriam voltar a tocar. Ela virou pra mim e sorriu. Sorri de volta e voltei para meu lugar. Pedi mais uma cerveja e escutei tranquilamente o resto do repertório, que durou mais uma hora. Quando ela já sinalizava cansaço, o tradicional cantor do conjunto assumiu o lugar dela. Ela passou no bar, encheu um copo e bebeu ele todo. Encheu o copo pela segunda vez e veio direto até minha mesa.
- Cara, deixa eu te falar: eu tô muito a fim de fumar um bico, tu num tem aí não? – e mordeu o lábio, arregalando os olhos como uma criança que espera a resposta por um pedido verdadeiro – pô, desculpa ser assim folgada cara, mas é que já faz uma semana que eu tô aqui e não trouxe nada do Rio.
Sorri, não sei se interessado como aquela intuição dela foi certeira, ou se porque além de linda e simpática, ela ainda curtia fumar um.
- Oxi, não precisa se desculpar não. Tenho sim, vamo ali em casa
- Massa.
Arranquei a carteira, calculei quanto minha conta dava e chamei o Dodô. Ele mandou um dos muleques que ajudava ela a servir buscar.
Como minha casa ficava ali perto, fomos andando devagar, conversando besteiras entre o cerrado e o litoral. Percebi que uma tattoo de três flores de anis estavam em seu ombro esquerdo. Harmonizava-lhe o corpo de uma forma linda.
Chegando a casa, fui um impecável anfitrião. Liguei um som – que propiciamente tocava Gottan Project. Abri um vinho nem caro, nem barato. Abri uma goiabada e ofereci com queijo. Acendi um leve incenso e, é claro, vários becks. Ficamos muito chapados.
Eu me lembro de todos os momentos, mas é difícil descrevê-los ao certo. Conversamos. Bebemos. Fumamos e rimos muito. Quando vi estava lhe acariciando os cabelos. Ela brincava com a borda do copo com a ponta do dedo. Eu lhe beijava e ela, bem, estava demais. Cheirei-lhe a nuca, sorvendo em bebericadas o seu suor causado pelo calor que emanava de seu corpo.
Ela afastou-me com uma mão, depositou o copo em cima da mesa e subiu em cima de mim no sofá. O sol do final da tarde batia em seu corpo todo, intercalado pela sobra das divisórias da janela, tornando-o uma mistura de laranja e negro. Não hesitei em tirar sua pequena blusa, que me mostrava seus seios desprovidos de qualquer sutiã. Ela me beijou enquanto desabotoava minha calça. Em um movimento quase que automático apalpei seus peitos e acariciei-lhes em retribuição daquele momento ótimo. Ela desceu e me chupou de forma maravilhosa, com suavidade e, vish, habilidade demais!
Peguei-a e a masturbei enquanto bebericava da ponta de seus seios bem aos poucos, deixando apenas pequenas pinceladas de saliva com a língua. Ela mordeu minha orelha, e já ofegava bastante quando me empurrou de volta e novamente subiu em mim. Ela estendeu a saia sobre o meu colo e ajeitou a calcinha para o lado. Assim que ela alcançou meu pau, ajeitou-o de forma a penetrá-la não na primeira – de prima é sempre difícil, mas na segunda.
Assim que ouvi seu primeiro gemido, não parei de escutar-lhe até gozar. É claro que nesse meio tempo ela puxou meu cabelo, e eu mordi seu pescoço. O tango eletrônico ditava o ritmo de nossa dança corporal. Ela cravou suas unhas em resposta, e eu mordi mais forte. O sol descia alaranjado, bem preguiçoso no horizonte. Ela puxou as unhas, acumulando uma fina camada de pele em baixo de suas unhas. Eu acariciava seu clitóris e quando ela já terminava, eu começava a gozar.
Após ela desabar em mim, rimos um pouco e ela não perdeu tempo:
- Vamo tomar mais uma cerveja?
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