Eu pulava como
um passarinho que descobriu que para voar ele podia pular. Pulei o que o carro
me deixava, até porque eu sou muito cagão com trânsito, e prefiro dirigir
devagar quando estou chapado. Ah sim, acha que não? Tava é muito. Aquele solzão
rachante tava até agradável, e o que compensava os meus litros de suor era uma
térmica de água gelada que eu genialmente coloquei no carro. Foi genial porque
eu sempre esqueço, e parece que no dia mais quente do ano eu havia trazido um
Oasis portátil. Nas pobres caixas de papelão do carro quicava um Skatalites
pesado. Foi com a Jamaica na mente que meu celular tocou:
- Ai Teteu... Tudo
bom? – perguntou uma voz cansada e simpática.
- Ahh...
Ligia? – perguntei, tentando recobrar algum sentido.
- Oi, nego, ta
podendo falar?
- To sim, to
sim, diga aí. Tudo bem com você? – coloquei o braço pra fora do carro, fazendo
com que o vento fresco do lago apaziguasse um pouco a chapação.
- Cansada e
com fome, e você? Já almoçou?
- Tranquilo.
Não comi nada não, tava indo pra casa agora.
- Pô, cê num
quer trazer um rango pra mim aqui em casa não? Meu carro ta no concerto, e eu
to sem tempo e sem saco pra cozinhar. Preciso entregar um artigo pra amanhã de
manhã e ainda tem coisa pra caralho pra fazer.
- Ô cara,
relaxa, eu levo sim pô. Cê quebra altos aí pra mim, tá de boa.
- Massa. Traz
qualquer coisa aí, mas nada com carne vermelha pra mim.
-
Beleza então. Daqui a pouco eu colo aí!
A
Ligia era minha vizinha, e nós nos víamos pelo menos uma vez por semana pra
fumar um, falar amenidades e suprir a carência de se morar sozinho. Algumas
vezes ela aparecia com filmes e vinho, e varávamos horas nos distraindo da
solidão. Ficamos algumas vezes, mas achamos melhor não levar muito a sério
porque a proximidade entre nossas casas poderia nos colocar em uma rotina de
casados, e isso poderia comprometer a nossa relação de vizinhos (importantes um
para o outro). Era uma forma de trocar uma zona de conforto por outra menos
prejudicial.
Passei
na padaria e comprei um frango assado, maionese e vinagrete, além de algumas
cervejas. Tomei um cafezinho antes para rebater aquela viagem doida. O calor
estava infernal, e quando desci do carro quase não consigo me colocar em pé de
tão pesada que minha cabeça estava. Sorri à minha debilidade, mas imaginei que
ia ser meio chato chegar lá todo capengão, então pilhei um café pra dar um gás.
Quando
cheguei ao apartamento de Ligia me deparei com uma bagunça de fazer inveja à
minha casa, que era conhecida por ser limpa, mas totalmente confusa. Pastas, textos, canetas e cabos de computador
estavam espalhados pela casa toda, além de saias, blusas, uma calça jeans com o
cinto ainda afivelado, calcinhas e sapatos.
Ligia fazia parte da composição
de sua casa: estava com um pijama amassado, o cabelo solto e desgrenhado e olheiras
cansadas. Mesmo isso, porém, não era o suficiente para ofuscar sua beleza.
Tinha o cabelo chegava até a altura do pescoço, e seu embaraço conferia a ela
uma áurea selvagem. Seu meio sorriso estava sempre presente em tudo o que falava
principalmente no que sugeria. Deu-me um cheiro preguiçoso quando cheguei,
abrindo caminho por entre aquele pântano acadêmico.
- Cara, eu to
morta, e fudida – disse indo para a janela. Acendeu um cigarro e encostou-se no
parapeito da janela – alias, fudida faz tempo que não – completou ela rindo.
- É, ta bad
aqui – eu olhei em volta.
- Ah, nem me
fale. Eu estou na ralação tão cabulosa esse mês que eu me descontrolei cara.
- Acontece,
nega, diga aí. Mas dá um tempo aí, vamos comer esse rango.
- Cara, eu
tenho q terminar um capitulo agora, depois eu almoço. Se quiser salvar um aí eu
iria achar massa pra abrir o apetite – disse ela voltando para frente do
computador com indiferença ao meu pedido.
Sorri sem
saber dizer não. Com calma processei o chosen e logo estávamos soltando bolsas
de fumaça espessa e farta. Mesmo trabalhando no computador, Ligia não parava de
tagarelar. Reclamava de como seus trabalhos na facul que incluíam a monografia,
bolsas e outras encrencas estavam atrasados por conta do excesso de trabalho na
redação, e que por isso ela não dormia direito à... E devagar ela começou a
falar mais languidamente, a transformar seu meio sorriso em três quartos de
sorriso, e de como estava curtindo uma regueira bem baixinho no PC, sem
desgrudar dele um segundo.
Após algum tempo
a lombra pesou forte. Eu me sentia grudado ao sofá, com o calor do meio dia
secando minha boca e molhando minha camisa. Tive que reagir pra não perder o
fio da meada. Levantei-me e perguntei à Ligia se podia tomar uma ducha rápida,
só pra dar uma levantada.
- De boas.
Primeira porta à direita, vou deixar uma toalha lá – disse ela, com um sorriso
bobo no rosto e embalando levemente a cabeça para frente e para trás ao som do
computador.
Fui até o banheiro
me espreguiçando do sono que me abatia e tratei logo de entrar na ducha. Fechei
o box e me demorei algum tempo embaixo da água gelada. Esfregava os olhos, a
cabeça, esticava os braços e pernas quando, do nada, a porta do box se abriu.
- Ai Mateus,
vai mais pra lá pô.
Encolhi-me,
franzindo a testa para a cômica cena que tava rolando. Ligia estava toda nua
disputando comigo o melhor lugar para receber o jato de água do chuveiro. Mas
olha, isso não acontece sem querer, vamos lá. Deixei ela se lavar um pouco,
segurando-a pela cintura. Foi então que dei uma leve mordiscada em sua nuca e
ela jogou a cabeça pra trás, suspirando baixo. Em dois curtos movimentos eu
puxei o rosto de Ligia e a beijei, ao mesmo tempo em que escorreguei a outra
mão para suas costas, parando em sua bunda. Ela correspondeu passando os braços
por trás do meu pescoço e começando a esfregar seu ventre em minha perna.
Aquilo logo me despertou, e começamos a nos pegar efusivamente. Suas mãos
deslizavam pelo meu corpo, ora acariciando, ora arranhando. Eu beijava-lhe a
boca, o rosto, o pescoço e seus peitos.
Em um rápido
movimento passei minha mão de sua barriga para sua buceta. Ela deu uma leve
gemida quando comecei a masturbá-la, e logo tratou de se ocupar com meu pau que
já estava pra lá de animado. Após alguns segundos de troca de hálitos e gemidos
ela se pendurou na barra de ferro que sustentava o box (que por sorte era
aqueles antigos, feitos de ferro e bem firmes) e laçou as pernas em volta de
minha cintura. Penetrei o bixin e logo comecei a lamber aqueles mamilos
durinhos que balançavam na minha frente. Ligia jogava seus cabelos molhados
para trás, içando-se o suficiente para garantir o movimento pélvico exato.
Intensificamos
o ritmo, mas resolvemos mudar de posição quando a barra de ferro começou a
fazer alguns estalos estranhos. Rindo e me beijando ela se virou e apoiou suas
mãos na parede de vidro. Voltei a meter em um ritmo vagaroso. Sem interromper
os movimentos, estiquei minha mão esquerda para o chuveirinho, destampei-o com
a boca e escorreguei-o até a altura do clitóris de Ligia. Quando o jato deu
algumas guinchadas ela chegou a escorregar, rindo com o susto. Assim que o
fluxo de água saída daquele pequeno cano se estabilizou, Ligia se soltou. Tomou
o cano da minha mão e começou ela mesma a se deliciar, enquanto eu me
concentrava em manter o tranco. Começou a rebolar para cima e para baixo, para
os lados. A situação se elevou a um nível que eu precisei me distrair recordando
da escalação do Brasil de 70, que contava não só com Pelé, mas com Jairzinho,
Tostão, Clodoaldo e Rivelino.
Como se uma
sede arrebatadora tomasse conta de mim, me ajoelhei e comecei a chupar Ligia. Ela
empinou sua bunda, me dando um ângulo propício para a finalização. Ela gozou em
minha boca em alguns segundos. Virou ainda ofegante e tremendo e me beijou, me
masturbando. Ajoelhou-se e acomodou meu
pau entre seus seios, subindo e descendo. Fechei os olhos e quando abri estava
ensopando o peito da doida.
Encostei-me no
azulejo frio e escorrei aos poucos para o chão, deixando a água me massagear as
costas. Ligia se lavou e se aninhou em meu peito.
- Caralho, que
fome... – ela disse, rindo.
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